Colunas Edição de quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Opinião
O México e o narcotráfico
Desde a posse em 2006 do presidente Felipe Calderón, as vanguardas mexicanas do narcotráfico se impõem, cada vez mais, como força paralela ao poder governamental. Calderón havia prometido, ao sentar na cadeira presidencial, atacar as organizações criminosas para reduzi-las à inoperância. Fracassou. Não só as atividades do tráfico seguiram em impressionante escalada como os cartéis passaram a aterrorizar o país com a deflagração de guerra sangrenta pelo domínio de mercados. No conflito, até agora 30 mil pessoas foram assassinadas.
Não há limites à violência no jogo para impedir qualquer forma de resistência dos órgãos de segurança pública. Os comandos do comércio monstruoso sequestram e matam políticos, jornalistas, ordenam o silêncio a meios de comunicação. É rotineira a eliminação dos que se recusam a ajudá-los, tal como o massacre de 72 imigrantes latino-americanos, 11 dias atrás - entre eles, dois brasileiros. Uma arma tem especial relevo nas operações dos mercadores de drogas: a corrupção de autoridades,sobretudo de agentes mobilizados para combatê-los.
Há suspeitas de que parte do aparato governamental tenha sucumbido a subornos para fechar os olhos à ação das quadrilhas. Pelo menos, é fato notório que 3.200 integrantes da Polícia Federal mexicana foram excluídos por corrupção e 1.500 deverão sê-lo em breve. Trata-se de informação carimbada com selo oficial, uma vez prestada à imprensa pelo comandante da instituição, Facundo Rosas.
O frágil estágio em que chegou o Estado mexicano, sob grave ameaça de se tornar refém de narcotraficantes, tem origem, também, em fator externo. Nos Estados Unidos, os cartéis mexicanos faturam algo em torno de US$ 150 bilhões por ano. Com a garantia de faturamento com tamanha dimensão - precioso naco de comércio mundial calculado em US$ 750 bilhões -, os narcotraficantes se dispõem a correr todos os riscos e recorrer a qualquer tipo de violência para mantê-lo. Enquanto o consumo interno norte-americano não declinar de forma substancial, sempre haverá no México quem se determinea infiltrar drogas psicoativas no outro lado da fronteira.
A tragédia mexicana serve como advertência aos demais países abaixo do Rio Grande. Os elevadíssimos ativos financeiros à disposição dos chefões conferem-lhes poder para comprar apoio logístico, equipamentos de alta tecnologia, aterrorizar, seduzir políticos e corromper autoridades. O Brasil, com a recente mobilização das Forças Armadas, das polícias estaduais, da Força Nacional de Segurança, além da Polícia Federal, elevou o potencial de combate na fronteira amazônica. São 6.400km a patrulhar, em particular as divisas territoriais e lacustres com o Peru, a Colômbia e a Bolívia, principais fontes de abastecimento de crack, cocaína e maconha. Todavia, a ameaça exige aumentar o esforço preventivo e repressivo.
O horário político e o voto
Luiz Carlos Amorim, Escritor e editor
O horário político no rádio e na televisão. Eu não gosto muito de falar em eleição, mas li uma cartinha num jornal, e achei muito interessante: "o horário político está de volta e os candidatos vão fazer, de novo, meu ouvido de pinico. Mas eles terão o troco no dia da eleição." Não é legal? O eleitor sabe que os políticos que querem se aboletar nos mandatos de quatro anos, que aproveitar a "boquinha", vão prometer mundos e fundos sem a mínima intenção de cumprir, vão mentir pra caramba, vão reivindicar para si inúmeras "realizações", vão mostrar uma baita ficha limpa que não existe e esconderão a sete chaves a enorme ficha suja, essa sim de verdade, vão tentar convencer de que são a obra-prima da natureza.
Mas ele, o eleitor, vai fazer valer o seu direito de escolha e seleção e quando chegar o dia da eleição, não votará em nenhum deles. Se não houver nenhum candidato que mereça o seu volto, voltará nulo.Isso me fez lembrar, também, que na semana passada caminhava eu pelo centro, quando passei por duas senhoras que conversavam sobre a eleição."Pois não é tudo uma cambada de corrupto? E a gente tem que votar neles!", diziam elas.
Eu não as conhecia, mas não me contive e postei-me ao lado delas, me metendo na conversa: As senhoras não são obrigadas a votar em ninguém. Se sabemos que os candidatos disponíveis não são bons, não são o que queremos para representar-nos, então não devemos votar neles. Se não houver ninguém em quem possamos votar, a única saída e anular o voto, pois só assim ele não vai valer pra ninguém e servirá de protesto para saberem que não estamos satisfeitos com o que está aí. Não existe aquela história de que precisamos voltar em alguém de qualquer jeito, para não "desperdiçar" o voto.
Desperdiçar é votar em quem não merece.Elas olharam pra mim, balançaram a cabeça e concordaram. E eu segui o meu caminho, de alma lavada. As pessoas, todas, deveriam saber como funciona o sistema eleitoral. Mas não é interessante para os políticos, não é?Por outro lado, terminou o prazo para o eleitor que não estará no seu domicilio eleitoral, no dia da eleição, mas sim em uma capital, votar em trânsito. Este ano seria um teste para ver o que teria que ser aperfeiçoada em pleitos seguintes, como de 2012 e 2014. Para se cadastrar, o eleitor precisou apresentar o título de eleitor e um documento com foto.Mais de oitenta mil pessoas se cadastraram, segundo o TSE, o que significa que os candidatos a presidente do país terão essa quantidade de votos a mais nestas eleições.
A "novidade" aparece justamente nestas eleições em que o atual presidente é marqueteiro da candidata do governo e vale só para votar no presidente e vice. Estamos assistindo,mais uma vez, ao desrespeito das leis por quem deveria dar o exemplo.Nós, que vamos votar, precisamos pesar os abusos e incoerências, conhecer bem as fichas de cada um dos candidatos e saber se podemos votar ou não. O futuro do país é o nosso futuro.
Precisamos ter consciência disso e sermos honestos, antes de tudo, conosco mesmo. E não esquecer, também, que se o Brasil continuar neste ritmo, com a saúde falida, com a educação cada vez pior e a segurança cada vez mais inexistente, com cada vez mais corrupção, que futuro terão nossos filhos e netos?Eu não transferi ainda meu título, até ia me cadastrar para votar em trânsito, mas quando soube que vale só para escolher o presidente, desisti, pois quero escolher também o governador do nosso estado. Prefiro viajar e ir até o meu domicílio eleitoral.Precisamos fazer escolhas. E fazê-las direito. Ou o futuro estará comprometido.
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