Teatro // Vida e obra de Afonso Pereira é contada em livro
O livro Afonso Pereira e o Teatro do Estudante da Paraíba: Educando pela arte dramática, escrito por Bernardina Maria Juvenal Freire de Oliveira, Maria Nilza Barbosa Rosa e Tatiana Losano de Abreu, será lançado hoje, às 20h, no Arquivo Afonso Pereira, localizado no Bairro de Jaguaribe, em João Pessoa. A obra está dividido em cinco 'atos': Percorrendo os bastidores, Abrindo as cortinas, Luzes no palco: o Teatro do Estudante da Paraíba, Com a palavra, os agentes do Teatro e Apagando as luzes, antes da despedida final.
As três pesquisadores destacam o papel de Afonso Pereira na criação e consolidação do TEP, e levam o leitor ao mundo mágico da arte teatral, mas sem esquecer de contextualizar, social e economicamente, a Paraíba das primeiras décadas do século XX. A narrativa traz com riqueza de detalhes, os caminhos culturais empreendidos a partir da fundação, em 1937, do Teatro do Estudante do Brasil, por Paschoal Carlos Magno.
Outro destaque do livro é a série de fotos mostrando algumas das montagens do TEP. As imagens lembram as peças que imortalizaram o grupo: O sábio marcou a estreia, em 1946, passando por Divino perfume (1951) e Festim diabólico (1954), além das adaptações do texto infantil de Maria Clara Machado, Pluft, o fantasminha (1958), e do premiado trabalho de Dias Gomes, O pagador de promessa (1961). No último espetáculo, João Farrapo (1962), estavam em cena quatro jovens talentos que, anos depois, se tornariam ícones do teatro paraibano - Ednaldo do Egypto, Lucy Camelo, Elpídio Navarro e Pereira Nascimento.
Nos apêndices, as autoras incluíram um índice onomástico, relacionando todos os nomes citados na obra, além de uma linha cronológica do Teatro do Estudante. O ato final aparece no ano de 1981, quando o TE do Ipê (grupo que surgiu por influência do ideário do TEP) apresentou, com direção de João Costa, o texto escrito por Rodolfo Santana, A empresa perdoa um momento de loucura. Há, ainda, um espaço para as entrevistas, onde figuras importantes da história do teatro paraibano saem do palco, remexem nos seus baús e resgatam memórias pessoais e coletivas.
A concepção gráfica é um outro atrativo da obra, que será lançada na noite desta quinta-feira. A editoração eletrônica de Luiz Carlos Kehrle homenageia, na capa, o centenário Theatro Santa Roza, utilizando-se de uma imagem captada pelo fotógrafo Luciano dos Santos Joaquim. Na abertura dos textos, ele reproduziu frases do professor Afonso Pereira. Numa delas, antes que comecem os capítulos (batizados de "atos", pelas autoras), as palavras do mestre Afonso Pereira sintetizam o espírito do TEP e a necessidade de que a história fosse eternizada em forma de livro. O mestre paraibano costumava dizer: "Só ama o Teatro quem o experimenta".
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Edição de quinta-feira, 26 de agosto de 2010
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