Foi curto e grosso o recado que a presidenciável Dilma Rousseff, do PT, embutiu numa entrevista concedida em Natal. A ex-ministra lamentou a postura de políticos da oposição no Nordeste "que agora querem se fazer aliados do governo Lula". Sem meias palavras, Dilma referiu-se a tucanos e democratas, "que passaram os últimos sete anos criticando e tentando impedir as ações da gestão petista". Observou que não considera isto uma postura correta. "Afinal, fizeram oposição sem trégua ao governo, combatendo à exaustão projetos como Prouni, destinados aos alunos de baixa renda".
Dilma lembrou a quem tem memória curta que o ex-PFL, além de combater o projeto no Congresso, apelou ao Supremo Tribunal Federal para declarar a inconstitucionalidade do Prouni. De maneira didática, a candidata reconheceu o direito legítimo da oposição de criticar o governo, porém, verberou sua indignação contra os que, a seu ver, tentam enganar o eleitorado, sob o pretexto de que estão fazendo uma oposição civilizada. "Fico indignada comesse tipo de comportamento", proclamou a candidata do presidente Lula, com autoridade de quem esteve por dentro do governo.
Recordou, enfim, que os adversários ostensivos de Lula e do Partido dos Trabalhadores investiram impiedosamente contra o Bolsa Família, considerado um dos mais exemplares programas de distribuição de renda do mundo. "Chamavam o Bolsa Família de bolsa-esmola", protestou Dilma, num pronunciamento que, sem dúvida, significou uma ducha de água fria nos oportunistas que hoje tentam se aliar a petistas.
Lula vai "monitorar"
As versões oriundas de Brasília sinalizam que o próprio presidente Lula vai observar melhor o comportamento de candidatos ao governo e ao Senado nos diversos estados, para, só então, decidir pelo engajamento pleno. Ele só deseja marcar presença em palanques quando o quadro estiver mais definido, e depois de aferir as regiões ou localidades onde a sua imagem possa ter peso na disputa em andamento.
Uma outra preocupação do presidente Lula, indiscutivelmente um cabo eleitoral forte, pelos percentuais de aprovação pessoal e do seu governo, é a de "checar" o empenho de postulantes na campanha de Dilma. Quem fizer corpo mole corre o risco de ficar de fora da lista dos que terão apoio explícito do ocupante do Palácio do Planalto. O presidente mostra que está informado da dubiedade de posições no páreo.
Mutirão e prioridade
Os sinais emitidos de Brasília deixam claro que a eleição de Dilma para a presidência é prioridade máxima, o que já fora estabelecido em reuniões da cúpula nacional do PT com dirigentes regionais, sem prejuízo da meta quanto à eleição de governadores, senadores, deputados federais e estaduais no pleito de três de outubro.
O aval para composições nos estados dependerá da identificação plena de forças políticas locais com o projeto macro. A lógica dominante no "staff" parece ser a de que os verdadeiros aliados de primeira hora, que jamais titubearam no alinhamento com o governo Lula, serão efetivamente prestigiados e receberão a contrapartida do apoio, até como estratégia para que o eleitorado não seja confundido com "truques".
"Sem surpresa"
O deputado Rodrigo Soares, presidente do diretório petista na Paraíba e candidato a vice-governador na chapa do peemedebista José Maranhão, afirmou ao colunista que não ficou surpreso com as posições emanadas do "staff" petista nacional. Ele tem participado ativamente de articulações, quer em Brasília, quer em São Paulo, e tem municiado a cúpula de informações exatas sobre o quadro no estado.
No seu ponto de vista, o candidato do PSB a governador, Ricardo Coutinho, ficará em posição delicada nesse contexto, em virtude da aliança ostensiva com o PSDB do ex-governador Cássio Cunha Lima e com o Democratas do senador Efraim Morais. "O ex-prefeito de João Pessoa fez uma opção pelo retrocesso, pela guinada com as forças conservadoras, e isto colide com a realidade de polarização", enfatizou.
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Edição de domingo, 1 de agosto de 2010
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