Primeiro Caderno | Política Edição de domingo, 1 de agosto de 2010
Dos grandes, só o PMDB está unido
Passadas três semanas do início do período eleitoral, prevalecem os rachas na maioria dos 27 partidos políticos
Thais Cirino // thaiscirino.pb@dabr.com.br
A campanha eleitoral ganhou as ruas há mais de três semanas e não faltam candidatos pedindo votos para presidente, governador, senador, deputado federal e estadual. O que tem faltado mesmo, na maioria das legendas, é unidade em torno das postulações majoritárias. Em uma situação pouco comum, um levantamento feito por O Norte revelou que a dois meses do pleito, apenas oito dos 27 partidos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) demonstram unidade no apoio aos seus candidatos. Livres de punições ou medidas disciplinares, uma gama enorme de lideranças políticas têm agido de modo contrário ao estabelecido por seus diretórios.
Governador administra apoios e mantém unidade do seu partido nestas eleições Foto: Julio Jacobina/DP/D.A Press
No estado, as duas principais alianças políticas visando o pleito de 2010, as coligações "Uma Nova Paraíba" (PSB, PSDB, DEM, PPS, PDT, PRP, PV, PTN e PTC) e "Paraíba Unida" (PMDB, PT, PSC, PTB, PCdoB, PR, PRB, PTdoB, PMN, PHS, PSL, PP, PSDC e PRTB) são referência em indefinição partidária. "Na Paraíba ocorre uma situação curiosa que é a divisão de alguns partidos. É o caso clássico do PT, que há algumas eleições vem sofrendo um racha interno", analisou o cientista político e professor do Departamento de História da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Jaldes Menezes.
Os problemas envolvendo a participação do PT na coligação que apoia a reeleição de José Maranhão começaram com a escolha dos nomes que iriam disputar a majoritária. Neste caso, as polêmicas dentro da legenda foram provocadas pelos que decidiram apoiar o deputado federal Luiz Couto, desafeto político do governador, e os que aderiram à campanha de Rodrigo Soares a vice-governador. Um exemplo de aliado de Couto é o presidente municipal petista Antônio Barbosa.
Mas o PT não é uma exceção. No caso do PTB de Armando Abílio. A legenda fechou apoio ao bloco governista, mas não conseguiu arrastar lideranças de peso como Carlos Dunga e o prefeito de Sousa, Fábio Tyrone, aliados do candidato ao governo, Ricardo Coutinho. Em contrapartida, o PR do deputado federal Wellington Roberto está unido no apoio a Maranhão, mesmo assim, perdeu mais de 200 de filiados em Sousa, deviso a discordâncias em torno da política de alianças.
A situação é diferente em relação ao PSL de Tião Gomes e da deputada estadual Nadja Palitot, que afinaram o discurso em prol da reeleição do governador José Maranhão (PMDB). Mesma decisão do PCdoB, PRB, PTdoB, PMN, PHS, PSDC e PRTB, que estão juntos na campanha.
O cientista político Jaldes Menezes pontuou que para se analisar as alianças políticas paraibanas, é preciso levar em consideração a existência das "legendas de aluguel", ou seja, partidos que se mostram indecisos até o último minuto das eleições. "Essas legendas esperam o melhor momento de mostrar apoio, visando as vantagens que obterão no poder", explica o professor.
Sem dúvida, o caso mais curioso dessas eleições é o do PP. Apesar de fazer parte da coligação Paraíba Unida, a legenda ainda não mostrou apoio claro a José Maranhão e também não fechou as portas para negociar com a oposição liderada por Ricardo Coutinho.Para o deputado estadual e candidato a uma das vagas na Câmara Federal, Aguinaldo Ribeiro, essa questão é vista com naturalidade. "Essa tem sido uma eleição atípica, com integrantes de partidos livres para escolher seus candidatos", afirmou.
Indagado sobre a influência dessa indefinição nos eleitores, Aguinaldo disse não acreditar que isso afete a imagem dos candidatos. "Os eleitores que acompanham o processo sabem porque são tomadas algumas decisões. Temos é que preservar a unidade do partido", defendeu.
+ Mais Discordâncias são maiores na oposição
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