Primeiro Caderno | Dia-a-dia Edição de domingo, 1 de agosto de 2010
Iniciativas que transformam vidas na prisão
l Continuação da Pág. 13
Conquistar uma bom emprego não é tarefa fácil nos dias de hoje. Para quem passa anos trancado numa penitenciária e ganha de volta a liberdade, a realidade chega a ser bem mais difícil. O estigma de ex-presidiário parece ser eterno e pesa nos ombros de homens e mulheres que já pagaram pelos erros que cometeram. O presidiário Marcone Macena, 31, conhece de perto os obstáculos impostos pela sociedade às pessoas que cumpriram pena.
Emilson José ganhou força depois da confiança dada a ele pela justiça Foto:Fabyana Mota/ON/D.A Press
"Quando conquistei minha liberdade condicional procurei um emprego para sustentar minha esposa e meus cinco filhos. Mas, as portas se fecharam e eu sei que isso aconteceu porque eu sou um presidiário e a população ainda está carregada de preconceitos", contou Marcone, que após seis anos e meio, conta os dias para conquistar a liberdade definitiva.
A oportunidade que esperava encontrar na rua, Marcone recebeu de onde menos esperava: por causa do bom comportamento, o apenado foi convidado para participar do projeto da Rádio Alternativa Esperança, criada pelo juiz das Execuções Penais da Comarca de Guarabira, Bruno Azevedo. O convite veio quando Marcone ainda estava no regime fechado e significou, assim como o nome sugere, um sopro de esperança e confiança na vida do presidiário. "Hoje sei que, maior que o erro que cometi, é a vontade que eu tenho de mudar meu destino", enfatizou o apenado.
A mudança que aconteceu na vida de Marcone - que aos poucos conquistou seu espaço e hoje apresenta dois programas da grade da rádio - fez com que o apenado transmitisse para outros companheiros a mensagem de que vale a pena acreditar e agir para construir um futuro melhor, livre das marcas do passado. Edno Marcelino da Silva, 24, foi um dos apenados que se inspirou na trajetória de Marcone e hoje trabalha junto com seu companheiro na maior difusora do município de Guarabira. "Marcone me convidou para integrar a equipe de produção da rádio. Através do conviete dele, o Dr, Bruno me deu uma oportunidade que talvez eu não encontre quando conquistar minha liberdade", disse Edno, apenado do regime fechado.
As oportunidades de aprendizado para novas profissões é uma iniciativa que vem recebendo incentivos na Penitenciária João Bosco Cabral. De acordo com o diretor Emilson José de Sousa, até o final do mês de agosto serão montadas na unidade prisional fábricas para a produção de vassouras com garrafas Pet e bolsas biodegradáveis. As peças produzidas pelos apenados serão vendidas para a prefeitura do município, através de uma parceria firmada com a instituição.
Para Emilson José, a iniciativa oferece uma oportunidade de aprendizagem para os apenados. "A maneira como a sociedade encara os presidiários tem um caráter muito mais vingativo que punitivo e conseguir um emprego após deixar a prisão é muito difícil. O que fazemos é dar oportunidades de aprendizado para que eles possam desenvolver novas atividades e tenham opções", explicou o diretor da penitenciária, que complementa: "Ressocializar não é fácil, mas é totalmente possível".
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