Primeiro Caderno | Dia-a-dia Edição de domingo, 1 de agosto de 2010
A fé como consolo
O apego à religião e aos parentes é o caminho encontra que os familiares destas jovens possuem para superar a perda. As três mulheres que pontuamos no texto receberam celebrações religiosas após a morte. Para a família de Vanessa Maria, a situação foi ainda mais complicada. Pois, mesmo com a certeza de que é dela o corpo encontrado no dia 21 de julho em Jaguaribe, não sabem quando Vanessa foi morta. Na missa rezada sete dias depois do aparecimento do cadáver, a avó da estudante caminhava amparada por Fernanda Simone, prima de Vanessa, e que resumiu o desejo da família: "A gente só quer que ela encontre seu caminho".
Para Jéssica Carneiro de Brito, a conformação com a perda de Jheny Penélope, de quem era irmã, é maior do que a vontade de encontrar um responsável. "É o que nos resta, entregar a vida dela nas mãos de Deus", lamenta. Jéssica não sabe como está o andamento do inquérito que investiva a morte da irmã. Sobre o laudo que poderá atestar a causa da morte, Jéssica se coloca indiferente e afirma que o único sentimento que poderão sentir será saudades.
Este não é o caso da família de Aryane Thaís, que clama providências das autoridades. Cartazes foram distribuídos pelas ruas da cidade pessoalmente pela mãe da estudante, Hipernestre Carneiro, com frases cobrando justiça. O acusado do crime é Luís Paes de Araújo Neto, de quem Aryane esperava um filho e que foi acusado formalmente do estrangulamento que vitimou a estudante no dia 14 de Abril deste ano. Mas, desde a morte de sua filha, Hipernestre demonstra seu apego à religião e à certeza de que a justiça será feita na terra e no céu.
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