Primeiro Caderno | Política Edição de quarta-feira, 31 de março de 2010
Marina levanta bandeira da sustentabilidade
Senadora do PV criticou concorrentes Serra e Dilma e disse que o PAC é eleitoreiro
Josué Nogueira // josuenogueira.pe@dabr.com.br
A senadora e pré-candidata à Presidência da República pelo PV, Marina Silva, iniciou ontem sua visita de três dias a Pernambuco reforçando a bandeira do desenvolvimento sustentável, sem deixar de se posicionar como uma alternativa 'diferenciada' às pré-candidaturas do PT, ministra Dilma Rousseff, e do PSDB, José Serra. Em entrevista coletiva, concedida na sede da Federação das Indústrias de Pernambuco (Fiepe), destacou que sua campanha nem de longe é um 'samba de uma nota só', numa referência à recorrente associação do seu nome à defesa do meio ambiente. "O desenvolvimento sustentável compreende o desenvolvimento de todas os segmentos da vida. E defender a natureza não é ser contra o progresso", disse.
Para Marina, existe um grande abismo entre o que se anuncia e o que se realiza
Ex-ministra de Meio Ambiente do governo Lula e ex-filiada do PT, onde militou por 30 anos, Marina foi severa ao atacar o que ela classifica de uso eleitoreiro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A iniciativa, considerada carro-chefe do governo federal, vem sendo palco de atos de campanha antecipada do PT. "Entre o que se anuncia e o que realiza há uma distância grande. A cada anúncio (o PAC 2, lançado anteontem), se vê que há sobreposição de projetos, obras repetidas. Tem alguma coisa nessa marmita que está requentada", disse.
Para a presidenciável, uma das críticas que devem ser salientadas trata-se do erro estruturante do PAC. "É preciso que seja mais abragente, com melhor gerência interna e pensado a longo prazo. Algumas obras não juntam lé com cré", disse. "O PAC é uma colagem de obras e não um programa. O que temos ali é um gerenciamento dessas obras, para ver como estão os recursos, para ver como está o licenciamento, o projeto de viabilidade econômica e técnica".
Marina comentou ainda que vê com preocupação as multas de R$ 5 mil e R$ 10 mil impostas a Lula pela Justiça Eleitoral por conta da antecipaçao de campanha. "Já é a segunda multa que o nosso chefe de estado recebe. Isso é preocupante. Os poderes da nação têm que cumprir a lei, e o exemplo temque vir de cima. Nós, quando éramos do PT sempre reclamávamos dos casos em que existia esse tipo de extrapolação (uso da máquina e antecipação de campanha)", frisou.
Durante a entrevista, Marina condenou a transformação da campanha presidencial num embate plebiscitário, como quer o PT, e numa disputa de currículos, como planeja o PSDB. Para ela, tal intenção é aviltante. A ex-ministra disse ainda que o Brasil não precisa de um gerente. E que a maior prova disso foram os governos de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e do presidente Lula. Segundo ela, exatamente por não adotarem esse tipo de postura, ambos conseguiram avanços: o tucano, garantindo a estabilidade da economia, e o petista, assegurando melhorias sociais.
Marina evidenciou ainda a diferença nos conceitos de crescimento e desenvolvimento. Para ela, desenvolvimento resulta do crescimento econômico que proporciona melhoria na vida para as pessoas. "O desenvolvimento deve assegurar mais moradia, mais saneamento básico, saúde e educação. E uma educaçãoque não seja apenas aquela da lógica de educação pelo direito. Mas que seja capaz de treinar e capacitar os nossos jovens, tanto para o primeiro emprego quanto para a universidade. O desenvolvimento deve promover a alegria, felicidade e bem estar para o povo". Ela lembrou que Pernambuco, mesmo sendo a 10ª economia do país, é marcado pela desigualdade social. "O estado está crescendo? Está. Mas está se desenvolvendo? Pode ser que não", concluiu.
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