Primeiro Caderno | Política Edição de quarta-feira, 31 de março de 2010
Aberta a temporada de acusações
Ex-secretário Barreto diz que houve fraudes na campanha do PSB, em 2008. Ricardo Coutinho vai levá-lo à Justiça
Lívia Falcão // liviafalcao.pb@dabr.com.br
Depois da divulgação retumbante de que apresentaria denúncias capazes de deixar o prefeito Ricardo Coutinho (PSB) inelegível, o ex-secretário municipal de Administração, Francisco Barreto refreou o discurso e abriu o anúncio ontem na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) afirmando que as supostas irregularidades apresentadas "poderiam até não ser ilegais, mas no mínimo imorais e antiéticas". No contraponto, Ricardo, que é pré-candidato ao governo do estado, avisou que vai exigir comprovação das denúncias "infundadas na Justiça".
Ex-auxiliar do prefeito disse ter recebido nove mil páginas de documentos Foto: Rafaela Tabosa/ON/D.A Press
As supostas irregularidades apresentadas por Barreto um dia antes da renúncia de Ricardo são referentes à suspeitas de fraudes nas doações para financiar a campanha à reeleição do socialista em 2008. Barreto reuniu o material em um dossiê com mais de nove mil páginas, que serão anexadas à ações remetidas ao Ministério Público Eleitoral, Federal, Receita Federal e Polícia Federal. "Ainda esta semana acionarei estes órgãos para que possam averiguareste levantamento feito há 15 dias atrás", sinalizou.
A base das acusações de Barreto está focada nas contas da campanha do PSB que foram aprovadas pelo Tribunal Regional Eleitoral. "Nós só tivemos acesso a essa documentação há duas semanas. Agora nossa preocupação é com 2010, para que não se repita esse desmande", acusou Barreto.
Foi apontado ainda o envolvimento de funcionários da prefeitura, e citado o nome da diretora administrativa da Secretaria de Finanças como peça-chave no manejo financeiro do "esquema". "Essa senhora conhece todos os meandros, conhece o submundo financeiro da prefeitura. Ela assinou todos os recibos e fez todos os contatos para as doações. Ela chegou a se ausentar em julho e voltou em dezembro de 2008. Ainda temos outros nomes que não pudemos divulgar que participaram da operação financeira do esquema", sustentou.
De acordo com Barreto, os comprovantes de doações não eram identificados, nem documentados devidamente, "e muitas vezes estavam em nome de terceiros". Grande parte dos depósitos era feita na agência do Banco do Brasil lotada na sede do Centro Administrativo Municipal e fora do horário de expediente, detalha Barreto.
Ele sugere que o esquema era de redistribuição indireta de renda, já que servidores e prestadores de serviço seriam forçados a financiar eventos de campanha do socialista, como o pagamento de convites de jantar de adesão no valor de R$ 300. Outras doações médias de R$ 16 mil partiriam de laboratórios farmacêuticos contratados pela prefeitura. No entanto, o maior valor em doações irregulares, apontado por Barreto, foi a doação de R$ 500 mil do PSB sem comprovação de origem. "Eles não podem admitir isto por motivos óbvios, mas foram coagidos a fazer as doações como a do jantar de adesão, sob risco de perderem outras coisas", alfinetou.
Supostos gastos não declarados com o comitê do PSB, transporte de pessoal e aluguel de carros de som, além de custos com a campanha proporcional também foram contestados pelo ex-secretário. "Não é possível que em todos estes itens tenham sido registrados apenas o gasto de zero a sete centavos", acusou Barreto insinuando a conivência de uma agência publicitária que prestam serviço à prefeitura.
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