A montagem atual de O Palhaço Sapeca difere da anterior por seguir uma linha musical. Na trama, dois artistas circenses, Sapeca e Tita, ficam desempregados e saem à procura de emprego. A dupla constata que os pequenos circos estão desaparecendo e, o que é pior, as grandes companhias só contratam artistas internacionais. O espetáculo quando Sapeca e Tita chegam ao teatro procurando emprego e resolvem fazer ali mesmo uma apresentação para mostrar seus dotes artísticos. Usando a imaginação e os adereços que tiram da mala eles transformam o teatro no Grand circo Alegria do Povo.
Tita e Sapeca sentem a falta de trapézios, globos da morte, picadeiro, animais amestrados, mas não desistem. Usando a cachola e seduzindo a criança com suas imagens mirabolantes, eles criam um circo de faz-de-conta onde as crianças participam ativamente, tornando-se elas mesmas personagens importantes da ação, envolvendo-se em todas as brincadeiras e situações. "O importante do espetáculo, como já disse, é a participação da criança. É suaintegração na história. O texto é muito simples, como simples são as crianças, como simples são as brincadeiras dos palhaços", destacou Moacyr.
"A figura do palhaço está sumindo do imaginário infantil. Hoje em dia o que menos tem nos circos são palhaços. O palhaço é um elemento fundamental não só da arte circense, da histórica do circo, como da cultura popular. Ele não pode desaparecer. Existe também uma campanha contra o uso de animais amestrados nos circos. Nós concordamos. Neste sentido, o Vemart convida as crianças para representar os animais nos palcos. É uma experiência rica e muito divertida", disse o autor.
Integração
Além da montagem e apresentação de espetáculos, outra atividade importante do Vemart é o projeto A Escola vai ao Teatro - intercâmbio com estabelecimentos de ensino da rede privada de cidades do Norte e Nordeste. Em dez anos, mais de mil escolas foram palcos de apresentações do grupo paulista-cearense. "Trata-se de um projeto voltado para a formação de plateia no qual também manifestamos nossa preocupação para com a qualidade artística da montagem", explicou Moacyr José, lembrando que, no início, havia certa resistência, não se valorizava o fazer teatral como instrumento de formação cultural da criança.
Dez anos depois, a realidade é outra. Mais de mil escolas estão envolvidas com o projeto. Moacyr defende que a criança tem que ir ao teatro pela importância do teatro em sua formação cultural. "Do mesmo modo como é importante a leitura. Aliás, o projeto também tem o objetivo de estimular a leitura, levando a linguagem teatral para a sala de aula, como ferramenta de incentivo à leitura, colaborando, assim, com os professores", justificou.
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Edição de sábado, 13 de março de 2010
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