Primeiro Caderno | Economia Edição de sábado, 13 de março de 2010
Cerca de 10 mil empregos são jogados no lixo
Sistema integrado de coleta seletiva entre as cidades contribuiria para a geração de renda
Jailma Simone // jailmasimone.pb@dabr.com.br
"Paraíba deixa de gerar 10 mil empregos diretos, porque não tem gerenciamento adequado de resíduos sólidos domésticos". A afirmação é do promotor do meio ambiente da capital, José Farias. O representante do Ministério Público defende a instalação de um sistema integrado de coleta de lixo (coleta seletiva), que não existe atualmente entre as cidades paraibanas, segundo ele. "O que existe são catadores de lixo, vivendo na miserabilidade, enquanto poderiam estar com seus empregos formalizados, exercendo com dignidade a função de selecionador de recicláveis", completou.
Calcula-se que 85% do material que vai para o aterro sanitário valem dinheiro, que termina sendo desperdiçado Foto: Fabyana Mota/ON/D.A Press
Cada habitante da Paraíba produz, por dia, 800 gramas de lixo em suas residências. A média nacional é de um quilo. A falta de gerenciamento adequado para esses resíduos tem gerado, além de prejuízos ambientais, desperdício financeiro. Segundo José Farias, no estado os resíduos domésticos que deveriam ir para aterro sanitário não passam de 15% do que se produz diariamente nos domicílios. Além disso, 30% poderiam ser reciclados e 55% serem compostados e virar adubo orgânico para utilização nas plantações em substituição aos agrotóxicos.
As estimativas percentuais observadas por José Farias se traduzem em desperdício. "Isso significa que diariamente 'jogamos no lixo' 85% de nossos resíduos que valem dinheiro. E em João Pessoa ainda pagamos cerca de R$ 20 por dia para enterrar cada uma das 600 toneladas coletadas diariamente", denunciou. Ele ressaltou que o tratamento adequado de cada cinco toneladas de resíduos sólidos geraria vinte empregos diretos.
Em Campina Grande, 350 toneladas de lixo por dia são jogados a céu aberto. Caso fosse adotada a medida eficaz de aproveitamento dos resíduos sólidos, seriam gerados 1,4 mil empregos diretos. Em João Pessoa, são 600 toneladas de lixo coletadas por dia. Isso significa que, pelos menos, 2,4 mil pessoas estariam empregadas na atividade de desenvolvimento sustentável.
No interior do estado, os prejuízos são os mesmos. No município de Cajazeiras, localizado no Sertão, são recolhidos por dia 50 toneladas de lixo. Esse material é lançado no meio ambiente sem qualquer adequação. Se houvesse a coleta seletiva, segundo Farias, seriam abertas oportunidades de emprego para 200 pessoas. "Nas demais cidades da Paraíba, onde também não existe sequer aterro sanitário, a implantação do sistema integrado de gerenciamento de resíduos poderia gerar pelo menos seis mil empregos de forma direta", concluiu José Farias.
Para efetivamente haver a coleta seletiva na Paraíba, o promotor do meio ambiente defende a criação de unidades de gerenciamento integrado de resíduos sólidos, assim como acontece no estado do Paraná. A estrutura é formada por um pátio de compostagem (processo biológico de decomposição do lixo orgânico), um aterro de rejeito (lixo não aproveitável), galpões para material recicláveis (vidro, plástico, ferro e afins) e infraestrutura adequada à condição humana, como jardins gramados. "A implantação desse modelo de gerenciamento em todos os municípios do estado é a principal política institucional do Ministério Público da Paraíba, por ser instrumento eficaz de preservação ambiental, de conservação de recursos naturais e de desenvolvimento sustentável", defendeu.
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