Cartunista Glauco foi assassinado, junto com o filho, na madrugada de ontem, em Osasco (SP)
André Dib
O Brasil acordou ontem de mau humor. Na madrugada de sexta, o pai dos personagens Geraldão, Dona Marta, Doy Jorge, Zé do Apocalipse, Casal Neuras, o cartunista Glauco Villas Boas, foi assassinado a tiros em sua casa, na zona rural de Osasco, na Grande São Paulo. A tragédia - que também vitimou seu filho, Raoni, de 25 anos - deixou artistas, colegas e admiradores consternados. "Perdi boa parte da minha história com a morte do Glauco", disse Angeli, parceiro do cartunista. "O dia fechou com o desaparecimento do Glauco. Não há palavras para justificar, explicar, entender...", escreveu Maurício de Souza em seu Twitter.
Não há consenso para explicar as circunstâncias do crime. A mais provável indica que não se tratou nem de assalto, nem de vingança. Segundo a polícia, três homens dispararam dez tiros por volta da meia-noite de ontem. Glauco foi baleado quatro vezes. Um tiro acertou seu rosto. Os outros atingiram o abdome e o tórax. Seu filho Raoni, que também seguia carreira de cartunista, foi baleadoquatro vezes, no tórax e abdome. Ironia do destino, sua última tira, publicada hoje pela Folha de São Paulo, mostra a personagem Dona Marta e seu chefe apontando armas de fogo na cabeça um do outro.
Um dos suspeitos foi identificado como Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, conhecido da família que até seis meses atrás frequentava a Igreja Céu de Maria, fundado há 15 anos pelo cartunista, dentro da doutrina do Santo Daime. No momento do crime, testemunhas disseram que ele estaria drogado, tendo alucinações e ameaçando se matar. Glauco e Raoni teriam tentado impedir o suicídio e terminaram morrendo. Os corpos estão sendo velados na igreja, onde Glauco era líder espiritual de cerca de 300 pessoas. O cartunista era considerado um líder amoroso.
Nascido em Jandaia do Sul, no Paraná, Glauco tinha 53 anos e era um dos maiores nomes de sua geração. É filho do sertanista Orlando Villas Boas e irmão de Pelicano, também cartunista. Sua carreira começou em 1970, quando publicou as primeiras tirinhas no Diário da Manhã, de Ribeirão Preto, onde foi prestar vestibular para engenharia. O reconhecimento veio cedo, premiado por dois anos consecutivos pelo Salão Internacional de Humor de Piracicaba. Em 1978 passa a colaborar para a Folha de São Paulo, onde fica regularmente a partir de 1985.
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Edição de sábado, 13 de março de 2010
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