Colunas Edição de sexta-feira, 12 de março de 2010
Opinião
Vitória na OMC é insuficiente
A arrogância com que os Estados Unidos desrespeitam as regras do direito comercial internacional é histórica. A maior economia do planeta não mede esforços na defesa de seus produtores e exportadores, seja impondo barreiras a produtos estrangeiros, seja concedendo subsídios à produção local. Esse é um dos motivos porque, desde 2001, estão praticamente travados os debates em torno da liberalização do mercado global, com seguidas frustrações da Rodada Doha.
Nos últimos anos, a crise financeira originada nos EUA agravou o problema. A retração no intercâmbio recrudesceu a resistência a mudanças, favorecendo o protecionismo. Nesse cenário, a recente vitória brasileira na Organização Mundial do Comércio (OMC), num contencioso iniciado em 2002 em defesa do setor algodoeiro nacional, tem inegável mérito, mas pouco resultado prático.
Primeiro, o reconhecimento da ilegalidade da subvenção norte-americana aos produtores locais foi solenemente ignorado e os subsídios mantidos. O Brasil insistiu na ação, recorreu pelo direito de retaliar e terminou bem-sucedido. Está autorizado a aplicar sanções de até US$ 829 milhões como compensação pelas distorções de preços provocadas pela ajuda governamental ao setor. A questão está no duvidoso poder de força da retaliação. Afinal, se os americanos absorvem cerca de 20% da nossa pauta de exportações, para eles isso representa menos de 2% das importações.
Mais: mesmo tendo perdido para Pequim em 2009 o posto de principal parceiro comercial de Brasília, não se vislumbra hipótese em que Washington deixe de ser estratégico aos interesses do desenvolvimento brasileiro. Até porque a diferença na corrente comercial foi mínima, de US$ 36,1 bilhões com a China e US$ 35,9 bilhões com os Estados Unidos. Vale ressaltar, em um contexto em que o epicentro da crise estava no quintal do gigante americano.
Fosse a decisão da OMC em sentido contrário, não haveria dúvida quanto aos danosos efeitos que surtiria na economia nacional. De cá para lá, poderá causar alguma irritação. E só. O presidente Lula falaem soberania, respeito, igualdade de condições. São conceitos que as Nações Unidas estão longe de conseguir impor. Menos ainda uma nação emergente em embate com a mais poderosa de todas as demais. Será um avanço se a pendenga tomar o rumo da justa negociação.
Por aí é que o Brasil deve insistir. O país é dos mais frequentes - se não o principal - apelantes da OMC. Demonstra respeito às regras e organismos internacionais. No caso presente, foi além. Num gesto de boa vontade, abriu 30 dias de prazo para que os EUA tomem a iniciativa de compensá-lo por conta própria. Se preciso, poderá endurecer o jogo, dirigindo as sanções para as áreas de serviços e propriedade intelectual. Espera-se que não seja necessário. Manter laços estreitos é interesse mútuo. Mais que isso, aos congressistas americanos, que deverão rever a lei agrícola nos próximos dois anos, está dada a chance de sinalizar ao mundo se pretendem mantê-la ou não na ilegalidade.
A visão do cliente
Aucélio Gusmão // médico
"As empresas de uma maneira geral, demonstram no dia a dia, uma fixação no dinheiro, vender mais, ganhar mais e ter maiores lucros, enquanto eu cliente, ator decisivo do processo, tenho recebido uma tratativa secundária, não passo de meio, sou pouco enxergado.
A indagação básica, contudo, é de onde eles pensam que vêm os lucros? Na verdade, a preocupação principal, dos líderes empresariais é com eles mesmos e com a empresa. Ganhar porte, fama e alcançar sucesso.
Nas minhas avaliações, imagine uma empresa que pense em mim- cliente- que me atenda e procure melhorar a minha vida. Foge de mim a proteção e a caridade. Tenho dificuldades, problemas, pago e espero sejam resolvidos.
Imagino, também, que ela e seus sucessos sejam motivo de orgulho para mim - seu cliente- na medida que receba corretamente aquilo que supra minhas necessidades e minhas carências.
Imagino, por fim, uma empresa que na sua desenvoltura, proposta e peso de sua marca, faça parte, esteja incluído e consiga materializarminhas vontades, necessidades e desejos que sempre ficaram no plano dos impossíveis, mas que em todos os momentos da minha vida fizeram parte do meu imaginário".
Estes são sentimentos do cliente, suas carências reais e afetivas, que precisam ser vistas e contempladas - autênticas - nascidas de suas almas, seus corações, em última análise que agreguem valor a própria sociedade.
"A arrogância flagrada destas empresas começam na descrição da missão. Falta sempre o cliente, expresso não explícito. O que realmente importa é uma imagem social positiva, ser pilar da sociedade, sinal de progresso e sucesso, algo como o sonho americano dos Estados Unidos.
Nas economias americanas, no início, as pessoas enxergavam as marcas fortes como símbolo de uma vida melhor, o fim da pobreza e depressão. Não denotavam inveja e sim vaidade. De repente, os sonhos se acabam, surgindo a avassaladora ganância. Os clientes usados como meio fora seus fins. Preços mais altos, menor qualidade, agressividade nas vendas, práticas antiéticas, destruição ambiental, corrupção.
Nestas organizações, a maioria das declarações de missão tem como bases o desejo de "tornar-se líder de mercado" ou "maximizar retornos para seus acionistas". Assim sendo, desgastam a confiança, a fidelidade se torna rara, as suspeitas aumentam, com a convicção crescente "aqui não é meu lugar".
Do todo comentado restam algumas perguntas: como ambições corporativas podem parecer razoáveis, mas eles são realmente a finalidade maior da empresa? Esta declaração de missão a diferencia de outras? Esta é a única razão pela qual esta empresa existe?
Precisamos de empresas cuja missão e cabeça de seus executivos vê além dos lucros, que melhorem a vida das pessoas. Nunca esquecer o Peter Drucker "a maior fonte de lucro são clientes". Façam por eles, resolvam ou atenuem suas dificuldades, que o sucesso oferecerá.
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