Primeiro Caderno | Dia-a-dia Edição de sexta-feira, 12 de março de 2010
Inverno terá chuvas irregulares
Instabilidade tem sido registrada devido à elevação da temperatura em 4 graus e da sensação térmica nas cidades
Márcia Dementshuk // marciabeth.pb@dabr.com.br
Há sete dias da data em que os sertanejos paraibanos apostam na incidência das chuvas que devem cair até maio, a previsão dos meteorologistas da Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba (AESA) não é muito animadora. Em função das influências do El Niño, as nuvens não estão alcançando o Nordeste. De acordo com a meteorologista Marle Bandeira, da Aesa, o próximo período de chuvas da região será com chuvas irregulares, abaixo da média e com a temperatura do ar mais elevada do que o normal. É muito provável que no Dia de São José, 19 de março, neste ano, não chova.
O sistema que garante a queda de chuvas no Semiárido da Paraíba é conhecido como Zona de Convergência Intertropical. Marle explica que na zona do Equador existe uma nebulosidade que migra ora para o norte, ora para o sul. O período que esta zona atinge o lado ao sul do Equador, que alcança o Nordeste brasileiro, é de fevereiro a maio. Mas para que o sistema flua adequadamente, as condiçõesoceânicas e atmosféricas devem estar favóráveis à essa migração. Ou seja, as águas do Oceano Atlântico ao norte tem que estar mais frias e ao sul mais quentes. Com a ocorrência do fenômeno El Niño, as águas do Atlântico Norte estão aquecidas em uma média de 1,5 a 2 graus centígrados. Com isso, a nebulosidade não migra para o sul, permanecendo imóvel e as chuvas no Nordeste brasileiro ficam reduzidas.
A ausência de nuvens torna o céu claro abrindo espaço para que os raios ultravioletas (UV) do sol incidam em grau máximo na terra. Nos últimos dias a incidência chegou a 14, segundo Marle, um número altíssimo. Índices que excedem a 11 são considerados extremos. As pessoas devem tomar medidas preventivas, como o uso do filtro solar, preferir roupas claras e fechadas e não dispensar chapéus e bonés.
A temperatura média no estado está em média 4 graus mais alta. A sensação térmica nas cidades é ainda maior. "Em João Pessoa, por exemplo, formam-se ilhas de calor em determinados pontos da cidade onde a temperatura é muito mais alta", esclareceu a meteorologista.
No campo, o agricultor deve ter cautela, pois o principal sistema ocasionador de chuvas não está atuando. Os 122 reservatórios de água na Paraíba monitorados pela AESA estão 10% em média acima do nível desde o começo deste ano, conforme informações do engenheiro civil da AESA, Lucílio Vieira. As chuvas do anos passado contribuíram para o acúmulo de água. "Ainda assim, a população deve utilizar a água de forma racional, pois não sabemos o que está por vir", alerta Lucílio.
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