No início desta década, durante a realização de pesquisas para a tese de doutoramento na Universidade de São Paulo (USP), Domingos Luiz Bargmann Netto descobriu uma fita cassete na qual estavam gravadas algumas histórias narradas por Manuel de Coco, lendário contador de 'causos' de Santa Terezinha, no Sertão Paraibano, com atuação na região fronteiriça com Pernambuco. Em 2005, inspirado pelo que ouviu, Luiz Bargmann dava início às filmagens de Um diário para Manoel de Coco - Uma experimentação documentária inspirada em Mário de Andrade, filme que será exibido hoje, às 15h, no Auditório Juarez da Gama Batista da Fundação Casa de José Américo (FCJA), na Avenida Cabo Branco, 3336, com a presença do diretor.
Considerando o trabalho de Mário de Andrade na criação do texto O turista aprendiz, que é ao mesmo tempo poético e referencial, Luiz Bargmann aborda o diário de viagem como um gênero híbrido que explora as fronteiras do real com o ficcional e propõe experimentar umaprodução de documentário que leve em conta as possibilidades de intervenção criativa sobre o objeto documentado. Por sua vez, o objeto-personagem escolhido, Manoel de Coco e sua história, contribui criativamente para a construção da narrativa, dado o caráter inventivo e lúdico de sua oralidade. "O documentário mostra, principalmente, os relatos de Manuel de Coco sobre a Revolta de Princesa", explicou o diretor, em entrevista por telefone.
O domentário, segundo Luiz Bargmann, tem um tom humorístico, pois Manuel de Coco brinca sem parar sobre fatos acontecidos durante o mais famoso conflito da história paraibana, ocorrido nos anos 30, envolvendo o coronel José Pereira e o então presidente João Pessoa. "O relato de Manuel de Coco é muito expressivo, de uma oralidade muito rica. Ele conta os 'causos' de uma maneira singular, intercalando as histórias risadas homéricas (Manuel de Coco faleceu em 1993)."
Luiz Bargmann informou que cópias do documentário Um diário para Manoel de Coco - Uma experimentação documentária inspirada em Mário de Andrade ficarão na FCJA para serem utilizadas por escolas e faculdades. "É a nossa contrapartida. É importante que os estudantes tenham acesso a uma figura exponencial da cultura oral do interior da Paraíba. A região onde nasceu e viveu Manuel de Coco é um berço natural de poetas, cantadores e contadores de histórias como ele. É uma história muito rica e muito divertida", completou.
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Edição de quinta-feira, 11 de março de 2010
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