Versões tecnobrega de hits consagrados conquistam fãs com divulgação pelo Twitter
Carolina Santos // carolinasantos.pe@dabr.com.br
A internet tem dessas coisas: vez ou outra, uma figurinha ganha destaque repentino. Na última semana, o misterioso DJ Cremoso viu suas versões tecnobrega de músicas pop e rock estourarem o limite de downloads do site SoundCloud. Coisas inacreditáveis como Losing My Religion na batida do arrocha e Human, do The Killers, num delicioso brega romântico. No Twitter, ele diz ser do Pará e que trabalha também como pedreiro. A história, claro, não é verdadeira. No microblog correu rumores de que o guitarrista Cláudio N, do Chambaril, seria o inventor da Creamy Music - como DJ Cremoso define sua mistura calórica. Cláudio se esquiva, mas diz que o conhece muito bem e que ele é mesmo do Recife. A foto do Twitter, inclusive, foi tirada do Google Imagens. "As músicas do DJ Cremoso fazem sucesso poque os vocais são conhecidos e as bases são super fáceis. São cativantes", diz Cláudio.
Jarbas/DP/D.A Press
O relativo sucesso que o DJ Cremoso conseguiu nessas duas semanas de atividade não era esperado. "Eu não estou entendendo nada até agora. Eu imaginava que a maioria das pessoas iria ouvir e dizer "mas que merda é essa?". E acho até que eles dizem isso, mas segundos depois já estão mandando o link para os amigos. Eu sempre quis entender como é que certas coisas se espalham tão rápido na internet, e está sendo uma boa lição viver isso na prática", avalia o próprio, em entrevista por -email.
Mas desconhecer a identidade do DJ Cremoso não interfere em nada em saborear suas versões. A primeira música divulgada foi In Bloom, do Nirvana. Depois veio Poker Face (Lady Gaga), Take on Me (A-ha), Blue Monday (New Order), Beat it (Michael Jackson). Já são mais de dez remixes. Ontem, ele lançou I kissed a girl, de Kate Perry, cantora americana de voz aguda, que na batida do tecnobrega de Cremoso soa como Joelma. Ele, aliás, não curte o Calypso. "Mas reconheço que é uma grande banda. Talvez a banda independente mais bem sucedida do Brasil". Cada remix, diz, leva cerca de uma hora para ser feito. "Da primeira vez demorei três horas. Quando é remix de arrocha, leva mais tempo, porque as linhas de baixo são complicadas e eu escrevo tudo com o mouse, nota por nota", explica. A letra de Human, remixada por ele, questiona: "Estou de joelhos/ procurando pela resposta/ Somos humanos ou dançarinos?". Pode se levantar, Brandon. No ritmo do tecnobrega, somos todos dançarinos.
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Edição de quinta-feira, 11 de março de 2010
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