A dona de casa Adriana Alves dos Santos, 38 anos, impressionou a equipe que tratou de seu caso, em Brasília. Um câncer de colo de útero, descoberto em meados de 2004, a deixou completamente abalada. A doença preocupou os médicos de forma especial porque Adriana passou por um transplante de rins há duas décadas e, com a imunidade muito comprometida, não poderia receber a quimioterapia. Alguns profissionais se mostraram completamente pessimistas e indicaram que as chances de superação eram mínimas. "Sempre fui muito religiosa. Mas, ao saber do câncer, me apeguei ainda mais a Deus, que nunca me abandonou. Rezava muito e pedia para Ele decidir o melhor por mim. Quando consegui aceitar a doença, percebi que tinha forças para lutar. Nesse momento, senti a presença de Deus ao meu lado. Eu não estava sozinha", conta.
Adriana foi submetida a oito cirurgias para retirada das lesões cancerígenas e diversas sessões de radioterapia. Há um ano a doença está estabilizada. "Os médicos que não acreditavam na minha cura ficaram sem fala. A luta contra essa doença tende a ser muito solitária para quem não tem fé. Eu estava muito bem acompanhada em todos os momentos e, por isso, superei o câncer mesmo com todas as limitações", acrescenta.
O psiquiatra Harold Koenig, diretor do Centro de Estudo da Religião, Espiritualidade e Saúde da Universidade de Duke, aponta que aqueles que se valem da fé, independentemente da religião seguida, enfrentam os fatores físicos e emocionais de qualquer doença com mais sabedoria. "A fé é um fenômeno que libera defesas naturais do organismo, prepara o corpo e a alma a lidarem melhor com a dor e os percalços do tratamento. Seja qual for a forma de manifestação dessa confiança absoluta, ela impede a pessoa de se entregar ao problema, motivando a busca da cura", comenta.
Koenig coordenou uma pesquisa realizada com 4 mil pessoas com idade acima de 60 anos que seguiam diferentes credos. O resultado do trabalho demonstrou que a fé também proporciona uma vida mais longa. Seis anos depois de começado o estudo, foi verificado que menos da metade dos indivíduos que não tinham uma crença religiosa estava viva. "Em contrapartida, 91% dos seguidores de alguma religião permaneciam saudáveis", garante o americano.
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Atualizado em 08|03|2010
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