Primeiro Caderno | Política Edição de quinta-feira, 11 de março de 2010
Ricardo perde espaço na Câmara
Placar equilibrado em votação se haveria debate sobre o OD revela novo realinhamento de forças
Lívia Falcão // liviafalcao.pb@dabr.com.br
Ontem, oficialmente o plenário da Câmara Municipal de João Pessoa (CMJP) atestou o que parlamentares migrantes da bancada do governo para a oposição anunciaram: a perda da quase unanimidade de Ricardo Coutinho na Casa Legislativa. A revelação surgiu após o requerimento do vereador, Geraldo Amorim (PDT) para debater o Orçamento Democrático (OD) da Prefeitura de João Pessoa. O OD é uma das ações mais destacadas pela administração socialista com a qual ele pretende ter a simpatia dos eleitores na provável disputa pelo governo do estado em outubro.
Prefeito evitou desgaste sobre o Orçamento Democrático graças ao voto de minerva do presidente da Câmara, Durval Ferreira Foto:Rafaela Tabosa/ON/D.A Press
De fato, o Executivo municipal costumava obter largas vantagens em qualquer debate que propunha, sem resistência notável entre os poucos opositores, mas desde 2009 a oposição vem ganhando fôlego ascendente, mas ainda não são capazes de refrear as ações de Ricardo. Este ano, as novas resistências ao governo elegeram coletivamente o OD para criticar. Alguns mais exaltados como o líder de oposição, Hervázio Bezerra afirmam que o OD, que pode ser transformado em lei na capital, "não passa de mera balela, e não é resultado efetivo da participação do povo", protesta.
Num placar apertado de 9 a 9, o voto minerva do presidente da CMJP, Durval Ferreira (PP) foi determinante para que a proposta de Amorim fosse reprovada. Se o novo panorama parece contrário a Ricardo, ao menos uma posição mereceu destaque - a do líder governista, Tavinho Santos. Mesmo crítico da falta de comando do socialista na pré-campanha e pertencente aos quadros do PTB que conversa com José Maranhão e Cícero Lucena, o vereador votou contrário ao requerimento. O vereador de oposição Fernando Milanez, ausente à sessão poderia ter virado o placar a favor da realização de audiência pública para discutir o OD.
Bruno Farias (PPS), Edmílson Soares (PSB), Sandra Marrocos (PSB), Bosquinho (DEM), João dos Santos (PR), Zezinho Botafogo (PSB), Benílton Lucena (PT) e Bira (PSB) completaram as nove cabeças contra o pedido de Amorim. Já Felipe Leitão (PRP), cotado para assumir a liderança de oposição, Sérgio da Sac (PRP), Eliza Virgínia (PPS), Hervázio Bezerra (PSDB) - ainda líder da bancada oposicionista -, Marcos Vinícius (PSDB), Luís Flávio (PSDB), Mangueira (PMDB), Nélson Lira (PT) e o propositor, Geraldo Amorim (PDT) ficaram a favor.
Tavinho lembra que o projeto que deve transformar o Orçamento Democrático em lei, tramita em diferentes comissões na Casa e deve ser votado em plenário em abril. "É de estranhar tanta relutância para debater uma matéria de tanta interesse para os pessoense", argumentou Hervázio ao reprovar o comportamento da bandaca ricardista. Já a vereadora Sandra Marrocos (PSB) alegou que o tema já foi esgotado em sessão ocorrida em fevereiro deste ano, inclusive com a presença do vice Luciano Agra. "Duas audiências sobre o mesmo assunto contraria o regimento interno desta Casa", arrematou.
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