Colunas Edição de quinta-feira, 11 de março de 2010
Opinião
Álcool gera violência
O drama de Adriano ganha visibilidade graças à posição que ocupa no esporte mundial. Ídolo do futebol, o imperador tem protagonizado tristes episódios de violência. A mais recente ocorreu na Favela Vila Cruzeiro, no Rio. Briga com a namorada tornou-se caso de polícia. Ao voltar ao Flamengo, depois de 11 dias de falta aos treinos, confessou à presidenta Patrícia Amorim que precisava de ajuda. A razão: dependência de álcool.
Não é de hoje que se chama a atenção para os riscos do álcool. A droga é combustível para a violência. Apesar do perigo que representa, porém, é socialmente aceita. Em família, não há mal em abusar de vinho, cerveja, vodca ou cachaça. É comum pais permitirem que filhos "provem" a bebida. A publicidade recorre a astros e estrelas da televisão, da música ou do esporte para divulgar as vantagens de beber. O glamour e o sucesso são a tônica. Advertência para consumir com moderação tropeça na subjetividade. O significado do substantivo para uns não é o mesmo para outros.
O alcoolismo, apontado pelo Ministério da Saúde como um dos principais responsáveis pelos óbitos decorrentes de doenças do aparelho circulatório, associa-se a histórias de violência. O trânsito serve de exemplo. Tragédias do asfalto se devem muito mais a falhas humanas que mecânicas. Buraco nas estradas, má sinalização, falta de acostamentos são menos culpados do que se alardeia. A questão é mundial. Nos Estados Unidos e em países da União Europeia, cerca de 40% dos acidentes envolvem alguém alcoolizado - pedestre ou motorista. Nos fins de semana, o índice dispara.
No Brasil faltam pesquisas definitivas. Mas estima-se percentual semelhante. Associar álcool e direção acarreta três problemas. Um deles: o motorista perde o reflexo. Reagir tardiamente aumenta o risco de acidente. A 60km, a demora de um segundo permite que o carro ande 17m. Outro: a pessoa muda o comportamento. Sobretudo negligencia perigos. Atenção e limite de velocidade perdem importância. O último mas não menos importante: o bêbado tem menos chance de sobrevivência -ou porque o organismo reage mal aos medicamentos, ou porque o indivíduo relaxa no papel de autoajuda.
A violência familiar, como prova Adriano, tem também estreita relação com o álcool. Pesquisas provam que agressões ocorrem três vezes mais em casas onde a bebida está presente. Em 83% das ocorrências registradas, a bebida é o principal motivo da barbárie porque rebaixa a crítica e aumenta a agressividade. Impõe-se esclarecer a população para o perigo da droga social. Campanhas de esclarecimento devem ganhar espaço crescente na mídia. Escolas, igrejas, clubes sociais e de serviços precisam empenhar-se na luta contra a banalização do mal que destrói famílias e ceifa vidas.
Um surrealismo premeditado? Marcos Barros (Professor universitário e pesquisador)
Ao pensar na expressão surrealismo, seria ou não, o Brasil um país de pessoas que poderiam viver, de verdade, certo surrealismo? Assim, para entender melhor a expressão, deve-se mergulhar um pouco na etimologia da palavra e ver se seria aplicável aos casos brasileiros. Sabe-se, contudo, que o surrealismo foi um movimento artístico nascido na França e que se fundamenta na rejeição das concepções lógicas do espírito, apegando-se apenas ao inconsciente. Dessa forma, pode-se até encontrar, por analogia, uma estreita semelhança com o comportamento e as atitudes de brasileiros que ocupam cargos de liderança ou político-administrativos e têm, sobretudo, o poder deciditório; poder, frequentemente, emanado do povo brasileiro.
Escândalos e mais escândalos acontecem nas caladas da noite ou em pleno dia. Seria cansativo declinar todos os casos, mas citaremos, como por exemplo, o das ambulâncias, das propinas, de governadores, prefeitos e senadores, bem como de diretores de empresas de pequeno e de grande porte, envolvidas em falcatruas. Será mesmo que esses humanos rejeitaram as concepções lógicas do espírito e se lançaram numa aventura inconsciente? Ou, são vítimas de calúnias e difamações? Vale a pena apurar de verdade! Não mais em CPIs, que, normalmente, só terminam "em pizzas".
O fato recente, do governador de Brasília, é tão escandaloso! Tão escandaloso! Que se chega a pensar, a priori, que se trata de calúnia e difamação; que não é possível o ser humano ser desprovido integralmente de senso crítico! De um escrúpulo mínimo!
Na verdade, se fosse constatado que teriam eles aderido a uma aventura inconsciente, nova modalidade de "surrealismo" contemporâneo, possivelmente aceito, poderiam, assim, ser considerados "artistas", consequentemente, dignos de reconhecimento pela sociedade e, até mesmo, merecedores de "cachês". Talvez seja mesmo, quem sabe? Um "semissurrealismo", já vivenciado, e que, considerando, em parte, a visão do humanismo idealista, o qual conduziria ao obscurantismo da Idade Média, facilitando, mais ainda, a vida dos 'supostos artistas', transferindo-os, em momentos de crise, para outras funções públicas, até mesmo, de maior importância social e política, como já foi visto em épocas anteriores. Agora, sabe-se que esses humanos tiveram e têm o espaço para se defender das supostas difamações. E, se entraram na aventura inconsciente do possível "surrealismo contemporâneo", foi por decisão de extrema consciência e lucidez.
É grave o quadro que se abateu sobre o país.Escândalos acontecem, mas, mesmo quando há uma suave punição, os punidos, já detentores de informações privilegiadas, de esquemas sigilosos, relacionados com os governos constituídos, formam um covil de bandidos, que circunscrevem a esfera administrativa do poder central, minando e influindo nas decisões políticas dos governos.
Os cidadãos brasileiros assistem, impotentes, à banalização do crime, da corrupção. Mesmo assim, esperam, pacientemente, que a justiça seja feita. É preciso botar na cadeia todos os bandidos que, travestidos ou não de "surrealistas", são indignos de suas cidadanias, para que, não mais manchem o pavilhão nacional!
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