Primeiro Caderno | Economia Edição de quinta-feira, 11 de março de 2010
Bancários em JP ameaçam greve
Ontem, a categoria atrasou em uma hora a abertura do expediente e contrariou muita gente
Lucilene Meireles // lucilenemeireles.pb@dabr.com.br
Clientes da agência do Banco do Brasil, em Tambaú, ficaram indignados ontem em virtude do atraso de uma hora para o início do atendimento ao público. O movimento faz parte dos protestos realizados semanalmente pelo Sindicato dos Bancários da Paraíba contra a falta de funcionários e pela implantação do Plano de Cargos e Salários. Enquanto a categoria ameaça entrar em greve por tempo indeterminado, caso as reivindicações não sejam atendidas, os usuários sofrem em razão dos protestos.
Os protestos serão realizados semanalmente, em agências diferentes da capital, de acordo com o sindicato Foto: Ovidio Carvalho/ON/D.A. Press
O aposentado Ferdinande Medeiros, 73, observou que a forma encontrada pelos bancários para reclamar seus direitos é uma falta de respeito aos clientes. "Sou infartado e cheguei aqui antes das 10h. Essa ideia de abrir uma hora mais tarde para chamar a atenção do banco acaba prejudicando a nós. Não posso ficar em pé tanto tempo. É um absurdo", afirmou.
Segundo o cozinheiro Reginaldo Feitosa, 47, o pior é que ninguém sabia que o banco abriria uma hora mais tarde. "Estou esperando desde as 9h30. Todo mundo tem o que fazer aqui", reclamou. Além disso, muitos idosos também aguardavam na fila, como a mãe do professor Alexandre Targino, 57. "Consegui fazer com que eles deixassem ela ao menos esperar lá dentro, mas não concordo com esse tipo de protesto. É preciso pensar no bem estar dos clientes que não têm culpa de nada. É um direito deles reivindicar, mas é um direito nosso contar com o atendimento no horário correto", comentou.
Para a oficial de promotoria, Cristina Almeida, os clientes já são penalizados no dia a dia por conta da demora no atendimento. "Hoje, todo mundo está sendo obrigado a permanecer uma hora sem ser atendido por conta de um protesto. A gente trabalha e tem horário. Ninguém pode ficar aqui esperando", ressaltou. Durante a mobilização dos bancários, representantes do Sindicato dos Bancários da Paraíba estiveram na agência.
Um dos diretores, Carlos Hugo Carvalho Guimarães, justificou o movimento. Segundo ele, os clientes precisam entender que o protesto é uma forma de lutar em benefício dos funcionários, mas também dos usuários das agências do Banco do Brasil. "Estamos reivindicando mais pessoal, o que consequentemente, vai melhorar a qualidade do atendimento oferecido", explicou.
O presidente do sindicato, Marcos Henriques, reforçou que os protestos serão realizados toda semana em agências diferentes. A meta é pressionar o Banco do Brasil a apresentar a proposta do Plano de Cargos e Salários (PCS). Se até 30 de junho, que é a data limite para a implantação do PCS, não houver um acordo, os bancários irão propor greve por tempo indeterminado.
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