Primeiro Caderno | Economia Edição de quinta-feira, 11 de março de 2010
Paraíba abre 17,1 mil novas vagas em 2010
No NE, o estado fica à frente do Maranhão, Piauí, Sergipe e Alagoas
Tatiana Brandão // tatianarocha.pb@dabr.com.br
A Paraíba deve abrir mais de 17 mil novos postos de trabalho em 2010, na fase de expansão pós-crise financeira mundial. O setor de comércio e reparação deve liderar a oferta de emprego, com 7.168 novas vagas. É o que diz a pesquisa "Emprego e oferta qualificada de mão de obra no Brasil: impactos do crescimento econômico pós-crise", divulgada ontem, pelo Instituto de Pesquisa Aplicada (Ipea).
De acordo com os números do estudo, a Paraíba será o 17º estado da federação na abertura de novos empregos em 2010 e o quinto da região Nordeste, ficando atrás dos estados nordestinos da Bahia (83.160), Pernambuco (70.600), Ceará (70.373) e Rio Grande do Norte (17.300) e à frente de Maranhão (15.830), Piauí (15.461), Sergipe (14.993) e Alagoas (5.556).
O comércio é um dos setores que oferece mais chances, segundo dados do Ipea Foto:Rafaela Tabosa/ON/D.A Press
Além do comércio e reparação, os demais setores a abrir novos postos de trabalho, no estado, segundo a pesquisa do Ipea, são, respectivamente, construção (2.854), indústria (2.768), alojamento e alimentação (2.506), educação, saúde e serviços sociais (1.291), transporte, armazenagem e comunicação (228), outros serviços coletivos, sociais e pessoais (157) e administração pública (1).
Segundo os técnicos do Ipea, a procura por trabalhadores compreende tanto os novos empregos abertos ao longo de 2010 como também a ocupação dos postos de trabalho de empregados demitidos e das vagas que se encontram abertas, porém ainda desocupadas. Assim, o saldo efetivo estimado para 2010, na Paraíba, é de 14.732 trabalhadores disponíveis para o mercado de trabalho, levando-se em consideração a diferença entre oferta e demanda de mão de obra.
O setor de serviços coletivos, sociais e pessoais deve registrar a maior oferta de mão de obra (7.844 trabalhadores), seguido da administração pública (2.525), agricultura (1.903), comércio e reparação (1.801), indústria (602), alojamento e alimentação (502), construção (222) e transporte, armazenagem e comunicação (127). Já o setor de educação, saúde e serviços sociais deve registrar escassez de mão de obra (-793).
Para o economista Aílton Lima, a liderança do setor de comércio na abertura de novos postos de trabalho na Paraíba é uma demonstração de que este foi o segmento que se recuperou mais rapidamente da crise financeira mundial e que, além de se recuperar, tem uma perspectiva de crescimento maior do que os demais setores. "É importante ver que essa liderança é na criação de novos postos de trabalho, sem haver abertura de vagas por demissão de trabalhadores, ou seja, é um incremento real de novas oportunidades de emprego e não uma substituição de profissionais, o que torna os dados da pesquisa ainda mais positivos para o comércio paraibano", afirmou.
Com relação à estimativa de empregos desocupados por demissão de trabalhadores, Aílton destaca que, na sua opinião, o índice de 94.894 trabalhadores que devem ser demitidos em 2010, em todo o estado, se dá pela falta de qualificação da mão de obra que se encontra empregada. "Tem muita gente trabalhando, mas sem formação suficiente para o cargo que ocupa. Com o mercado cada vez mais exigente, é natural que a cobrança em cima do trabalhador seja maior e aqueles que não atendam as necessidades do mercado percam seu emprego", disse.
+ Mais 22,2% dos ativos sem qualificação no Brasil
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