Primeiro Caderno | Dia-a-dia Edição de quinta-feira, 11 de março de 2010
Creches devem ter pedagogos até 2010
O prazo estipulado pela LDB obriga instituições a contratar profissionais com ensino superior até o final deste ano
Jailma Simone // jailmasimone.pb@dabr.com.br
"Manjedoura". Esse é o significado da origem francesa da palavra creche. Quando foi pensada, era exatamente essa a sua função. Uma instituição que pudesse "cuidar" das crianças de até seis anos de idade enquanto os pais trabalhavam. Porém, a partir de 2006, ou seja, uma década depois da criação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), foi criado uma norma dentro da LDB com o propósito de mudar o conceito de creche como um espaço propício à brincadeiras para um lugar de promoção ao aprendizado. Para isso, todas as unidades, sejam elas públicas ou privadas, deveriam substituir as auxiliares por profissionais com formação superior em pedagogia até 2010. Mas, na Paraíba, o cenário ainda está muito distante daquele recomendado pela lei.
Crianças devem ser orientadas por educadores com licenciatura em pedagogia Foto:Ze Marques/Secom-JP/DA Press
Preferindo não revelar sua identidade, Carmem Viana (nome fictício), funcionária de um Centro de Referência em Educação Infantil (Creis) em João Pessoa afirmou que há um distanciamento grande entre os profissionais da educação infantil e a realidade de concluírem um curso superior. "Os salários pagos ao professor de uma creche é muito baixo, apenas um salário mínimo (R$ 510), e a carga horária contempla dois expedientes. Como uma profissional vai conseguir custear um curso de pedagogia numa faculdade particular ou conseguir estudar para passar em um vestibular na universidade pública?". "Boa parte do corpo docente nas creches ainda não tem nível superior".
A creche onde ela atua existe professores e monitores. Poucos conseguiram concluir o curso superior em pedagogia. De acordo com Marcelo Bandeira, diretor da gestão curricular da Secretaria de Educação e Cultura de João Pessoa (Sedec), existe uma política pública de estímulo à formação superior, por meio de convênios com as universidades e os Institutos Federais de Educação, que têm ofertado vagas em cursos superiores e de aperfeiçoamento. "É verdade que ainda existem barreiras, mas todos os professores recebem treinamentos e cursos de aperfeiçoamento, não deixando a desejar a qualidade da educação infantil em nosso município", afirmou. Ele acrescentou que para contratar profissionais a prioridade é para os que possuem pedagogia.
A coordenadora de creches do programa estadual "Segunda Casa", Edilma Ferreira, disse que existe cerca de 250 profissionais atuando na educação infantil. Todos eles têm no mínimo o ensino pedagógico. "Não sei informar agora quantos professores com ensino superior está atuando, porém, muitos entraram sem capacitação e desenvolveram ao longo do tempo através de estímulos para buscar o conhecimento. Porém, acredito que até o final deste ano não será possível cumprir as determinações da LDB".
Em João Pessoa segundo a Secretaria de Educação e Culturalexistem 39 creches municipais. Em cada unidade estão cerca de 120 alunos matriculados, ou seja, na Capital pelo menos 4.680 crianças de até cinco anos estão sendo atendidas com o ensino infantil, segundo a Secretaria de Educação e Cultura. A realidade do estado é bem menor. De acordo com Edilma Ferreira, apenas 3.500 alunos de até cinco anos de idade estão matriculados noestado. Em João Pessoa são 2.000. Para as duas esferas, o número de instituições supera a demanda, embora o IBGE revela que em 2008 a população na faixa etária de até quatro anos de idade somava 288 mil pessoas. Se comparado aos números repassados mais de 279.820 mil crianças estariam fora das creches.
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