Primeiro Caderno | Dia-a-dia Edição de quinta-feira, 11 de março de 2010
Conselho ouve direção e professor
Depoimentos farão parte de relatório sobre o caso da menina constrangida em escola que será encaminhado ao MPPB
Tarcísio Timóteo // tarcisiotimoteo.pb@dabr.com.br
A direção e o professor envolvidos no caso da proibição de uma adolescente à sala de aula por não estar de tênis serão ouvidos, hoje, pelo Conselho Tutelar para esclarecer o caso denunciado no órgão. Após ouvir as partes envolvidas, o conselheiro Roberto Lira ressaltou que vai encaminhar o relatório para o Ministério Público, que em uma ação em conjunto com a Delegacia de Infância e Juventude e a Promotoria de Educação vão analisar o caso. Ontem, pais e alunos da Escola Municipal Frei Albino, onde a adolesce estuda, ameaçaram realizar um protesto caso a estudante saia da escola.
Conselheiro Roberto Lira disse que informações colhidas serão enviadas à promotoria da infância Foto:Ovídio Carvalho/ON/D.A Press
O pai da menina, pastor Silva Neto está decidido a transferir a filha para outra unidade de ensino. De acordo com ele, não há mais clima para a menina continuar na escola. "Nós não estamos mais a vontade, nem eu e nem minha filha. O Frei Albino é um ótimo colégio, mas pecou em ter barrado minha filha".
O Pastor que está em viagem, disse que a menina permanecerá assistindo aula na escola, porém quando retornar tentará conseguir vagas em outras escolas. "Tentei no colégio Olivina Oliva, mas na escola não tem vaga para a 8ª série. Então vou entrar em contanto com outra escola. É só voltar de viagem". Segundo a promotora da Infância e Juventude da capital, Soraya Escorel, o estatuto da criança e do adolescente diz claramente que nenhuma criança pode ser objeto de discriminação, constrangimento, principalmente por parte de educadores. "Nós que trabalhamos com criança e adolescente temos que fazer tudo para o bem dessas pessoas, elas são as partes principais do nosso trabalho". A promotora disse que se a menina, um dia após o impedimento, voltou a freqüentar as aulas, isso caracteriza que a escola exagerou na decisão. "A atitude da diretora e do professor extrapolou. O que a justiça irá fazer é ouvir as duas partes juntamente com a secretaria de educação".
Segundo ela, o ideal seria que escola fizesse um pedido formal de desculpa para evitar mais constrangimentos.Se caracterizado o crime, issopoderá gerar uma indenização, que é uma ação privada. E será instaurado um procedimento administrativo, que poderá gerar suspensão ao professor a própria direção ou até mesmo o afastamento de funcionários envolvidos.
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