Primeiro Caderno | Dia-a-dia Edição de quinta-feira, 11 de março de 2010
Mulheres são 30% dos dependentes de álcool
Cerca de 30% das 12 mil pessoas em recuperação acompanhadas pelos 170 grupos de AA no estado são do sexo feminino
Lucilene Meireles // lucilenemeireles.pb@dabr.com.br
À primeira vista, o álcool pode parecer divertido. Provoca euforia, deixa o corpo leve, a pessoa se torna mais comunicativa e, enquanto dura o efeito, dá a sensação de que os problemas não existem. No dia seguinte, vem a tão conhecida ressaca, dor de cabeça, mal estar, cansaço e a constatação de que aquela alegria era passageira e que as questões a serem resolvidas permanecem. Seja por diversão ou para mascarar as dificuldades do dia a dia, muita gente tem começado a beber cada vez mais cedo e algumas têm dificuldades de controlar o desejo em relação ao álcool. Um dado preocupante é que, apesar de a maioria ser do sexo masculino, as mulheres começam a ganhar destaque nas estatísticas da dependência.
Ana Maria bebe frequentemente desde os 18 anos e já adquiriu tuberculose Foto:Ovídio Carvalho/ON/D.A Press./D.A Press
Dados dos Alcoólicos Anônimos (AA) na Paraíba apontam que no estado existem hoje 170 grupos de pessoas em recuperação, envolvendo cerca de 12 mil dependentes. Deste total, 30% são mulheres. Vale ressaltar que os números incluem apenas aqueles que foram buscar ajuda e não refletem a realidade. De acordo com um dos coordenadores do AA, 40% das pessoas que bebem e apresentam algum problema decorrente da ingestão de álcool são mulheres.
Mãe de dois filhos de 21 e 24 anos, e avó de um menino que não completou o primeiro ano de vida, a faxineira Ana Maria de Santana, 43, engrossa essa lista. Seu desejo era de ser um exemplo para a família, mas não consegue se desvencilhar da bebida. "Comecei quando tinha apenas 18 anos. Eu trabalhava e costumava sair para almoçar com os amigos. Nestas ocasiões ou no final do expediente, alguém sempre tinha a ideia de beber uma cerveja. Nas festas, não perdia a oportunidade". Ela garante que tem controle sobre a bebida, mas a mãe, Maria Francelina de Santana, 80, ressalta que a filha ingere álcool diariamente.
Por não reconhecer a dependência, ela nunca procurou ajuda, mas sua aparência denuncia que o álcool, associado ao cigarro, é responsável por um aspecto envelhecido e triste. Com o passar dos anos, ela perdeu peso e hoje aparenta termais do que seus 43 anos. O tabaco, inclusive, colaborou para que adquirisse uma tuberculose. "A médica disse que não tenho mais condições de trabalhar e que devo me aposentar em breve", relatou. Mesmo com esse diagnóstico, Ana Maria assegura que não tem o vício.
Histórias semelhantes
A história de Ana Maria é semelhante à situação que vivem hoje inúmeras mulheres em todo o mundo. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o alcoolismo é a doença que mais tem atingido as mulheres. É uma síndrome que devasta não só a elas, mas aos familiares. Provoca efeitos destrutivos, já que o organismo feminino absorve 30% mais de álcool do que o masculino, porque elas têm mais gordura e menos água no corpo. O homem precisa beber por 15 anos para se tornar um alcoólatra. Uma mulher que consuma a mesma quantidade de álcool se torna dependente em cinco anos.
No Centro de Atenção Psicossocial Álcool e outras Doenças (Caps - AD), as mulheres representam menos de 10% dos atendimentos que são realizados, mas 90% de todas aspessoas que procuram ajuda no local têm envolvimento com bebidas alcoólicas. De acordo com a diretora do Caps-AD, Shirlene Queiroz, o álcool gera vários efeitos negativos, atingindo fisicamente e psicologicamente.
No homem,o problema é, culturalmente, mais aceito. "Eles são maioria na hora de pedir socorro. As mulheres têm grande dificuldade de procurar ajuda, talvez pela própria questão do compromisso familiar ou por questões culturais".
Clique na imagem para
vê-la maior
Edição de quinta-feira, 11 de março de 2010
Edições
anteriores
Selecione a data do
O NORTE que você
deseja visualizar
Copyright
- JornalONorte.com.br | todos os direitos reservados. É proibida
a reprodução parcial ou total do conteúdo
desta página sem a prévia autorização |
atendimento.pb@diariosassociados.com.br