Chapada dos Guimarães - Até onde a vista alcança? Bom, lá no fundo, bem abaixo, está Cuiabá, capital do Mato Grosso. Um pouco à esquerda, também no horizonte, a cidade de Santo Antônio do Leverger. As duas vistas a dezenas de quilômetros. De resto, montanhas em meio ao cerrado, tendo como pano de fundo a planície do Pantanal Mato-grossense. O olhar extasiado tem como ponto de partida o mirante no Morro dos Ventos, ao lado do Parque Nacional de Chapada dos Guimarães, a 70 quilômetros de Cuiabá.
É preciso ter muita coragem para arriscar uma descida nas cachoeiras espalhadas pela região Foto: Alfredo Duraes/EM/D.A Press
Localizado no Centro geodésico (área mais centralizada) da América do Sul, o Parque Nacional da Chapada dos Guimarães se caracteriza pelas belas paisagens, traduzidas também em gigantescas esculturas de pedra, com tonalidades que vão mudando ao sabor da luz solar. Entre os milhares de visitantes que recebe por ano, boa parte é formada por místicos que veem no lugar uma atmosfera mágica. No entanto, não é preciso acreditar em outras dimensõesouter aquele quê extrassensorial para sacar a grandeza de toda região, inclusive as áreas fora do parque.
Além disso, a proximidade com o Pantanal Mato-grossense e a facilidade de conjugar os dois destinos numa só viagem, enriquecem o roteiro. É claro que, para isso, é preciso gostar de natureza e não se importar de fazer caminhadas, aguentar o ataque dos insaciáveis mosquitos de todos os tipos e, se ficar hospedado em Cuiabá, o calor senegalês da cidade. No entanto, os modernos repelentes de insetos resolvem parte do problema. No quesito calor, ele se aplica somente a Cuiabá e ao Pantanal, já que na cidade de Chapada dos Guimarães e no parque o clima é bem fresco em função da altitude e do vento.
Mas o divertimento começa bem antes. Ao lado da rodovia MT-251 (que liga Cuiabá à chapada) fica o córrego da Salgadeira, lugar onde os primeiros desbravadores, há três séculos, paravam para salgar carne, daí o nome. É um complexo de lazer, dentro de uma mata ciliar e muita água. Não se paga ingresso, apenas o que consumir no restaurante do lugar.
Mais à frente, reserve um longo tempo para relaxar com a visão do Complexo Cachoeirinha e Cachoeira dos Namorados. A primeira é formada pelo Rio Coxipozinho, que corta o Vale da Bênção e forma uma queda de 15 metros de altura por 10 de largura. A água, num tom verde e azul, forma um enorme poço para nadar e uma praia convidativa. Num córrego ao lado, está a Cachoeira dos Namorados, essa bem mais modesta, porém, num recanto bem bonito e com uma gruta. Há boa estrutura de restaurante e comida, além de uma pequena loja de lembranças.
E isso foi só um refresco. Siga subindo a rodovia e chegue ao parque. A partir da portaria, uma caminhada de pouco mais de 500 metros é obrigatória para se conhecer o cartão-postal do lugar, a Cachoeira Véu da Noiva, com 86 metros de altura. Uma pena que o mirante, de onde se pode fotografar a queda de vários ângulos, esteja tão malcuidado, naquele que é um dos pontos turísticos mais emblemáticos do Brasil.
Em 21 de abril de 2008, quando ainda era permitido seguir por uma trilha até a parte baixa da Véu da Noiva e nadar no poço, ocorreu uma tragédia. Um enorme bloco de pedra, de várias toneladas, se soltou do alto e produziu um bombardeio ao se chocar na rocha embaixo. Estilhaços de pedra atingiram 18 visitantes, produzindo ferimentos graves em alguns e a morte de um deles. Seguiram-se longos meses com o parque fechado ao público, até que ele foi reaberto no ano passado. E somente a trilha para o mirante foi permitida.
Mais recentemente, o Ibama autorizou também a ida ao Circuito das Cachoeiras, onde sete podem ser visitadas e nelas tomar banho. São 20 minutos de caminhada, mas só é permitida a ida com guia autorizado e o passeio tem que ser marcado com, no mínimo, um dia de antecedência. Também liberada há pouco é a ida ao Vale do Rio Claro, onde está a parte baixa da Cidade de Pedra.
Outra boa atração, mas no momento vetada, é a caminhada até o Morro de São Gerônimo. Mas tem que ter disposição: a saída é do Centro de Visitantes e consome 12quilômetros, cerca de cinco horas de caminhada, num trecho de pouquíssima sombra. A recompensa são lindos visuais e pedras em formatos curiosos, como a Casa de Pedra, da Tartaruga, Cogumelo e Jacaré. Antes da proibição, o roteiro, somente com guias, podia ser estendido para dois dias, com acampamento no morro. Há também passeios fora da área do parque, com saídas de Chapada dos Guimarães. O ideal é que se contrate guias, que podem ir de carro ou, caso você esteja motorizado, apenas o acompanham. Confira a possibilidade de entrar em pacotes.
Saiba mais
Aéreo
Ida e volta - Cuiabá A partir de R$ 1.290 (Gol) Pela Gol. 0300 115 2121 www.voegol.com.br
TAM
Ida e volta - Cuiabá A partir de R$ 810 (Tam) www.tam.com.br
Guias locais
Eco Turismo Cultural Passeios off road, rafiting e outros Lui Belfort (65) 9952-1989/ Júnia Belfort (65) 9202-6496/ 3301-1393
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