As anomalias identificadas no cérebro de pessoas dismórficas são a causa ou a consequência da doença?
Nós não sabemos a resposta. É possível que o processo visual anormal - talvez até mesmo herdado - possa predispor algumas pessoas a desenvolver a dismorfia corporal. Por outro lado, é possível que a dismorfia surja por outros fatores, influencie o cérebro e cause o processo visual anormal. Precisamos prosseguir com pesquisas adicionais para entender melhor o problema. Fizemos um estudo recente, que será apresentado no próximo mês no Congresso Europeu de Psiquiatria, que demonstrou anomalias no processo visual de objetos sem rosto, como, por exemplo, casas. Isso é mais uma prova de que os problemas no processo visual podem ser a principal causa, embora não resolva ainda a questão.
Costumamos associar a dismorfia corporal a pessoas altamente vaidosas. Seu estudo mostrou que o problema não é apenas comportamental, mas tem base fisiológica. Está correto dizer que mesmo as pessoas que não se preocupam excessivamente com a aparência podem ter dismorfia?
Acho que provavelmente alguém que herda uma série de genes (ainda desconhecidos) predispostos e possui uma certa combinação de fatores pode desenvolver o problema. Eu não vejo uma distinção entre problemas psicológicos e fisiológicos. São diferentes questões, mas com raízes no cérebro e têm múltiplos fatores determinantes, como genes, meio ambiente, desenvolvimento, cultura, relacionamentos, etc. Definitivamente, a dismorfia não é vaidade. A vaidade é quando a pessoa se preocupa com sua aparência porque tem orgulho dela e acredita que pode ser atrativa. Pessoas com dismorfia podem ser consideradas praticamente o oposto. Embora sejam preocupados, essa preocupação é porque pensam que são extremamente feios.
Existe um padrão comportamental que assemelha pessoas com dismorfia e aquelas que possuem transtorno obsessivo compulsivo?
Sim, acredito que há padrões similares em ambos distúrbios. Isso pode, nos dois casos, estar relacionado à hiperatividade cerebral que encontramos na pesquisa, mas precisamos estudar melhor para compará-los diretamente e entender, definitivamente, como isso ocorre.
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Atualizado em 08|02|2010
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