Quando o médico tem sensibilidade para explicar que a criança terá algumas dificuldades, mas que poderão ser superadas com cuidados, o vínculo se fortalece, e o desenvolvimento acontece de forma natural. A funcionária da Infraero Jerusa Heleno Amaral e Silva Brasil, 41 anos, descobriu que a filha caçula, Fernanda, tinha síndrome de Down somente depois do parto. Durante a gestação, os exames nada acusaram. Jerusa recebeu muito apoio do marido, dos filhos, do padre da paróquia que frequenta e do pediatra que já atendia a família há muitos anos. "Olho para a Fernanda e primeiro enxergo minha filha. Só depois é que me lembro que ela tem síndrome de Down", conta. Antes de completar 2 anos, Fernanda já estava matriculada na escola regular. Para estimular o desenvolvimento, a menina faz musicoterapia, arteterapia, psicomotricidade e fisioterapia. Jerusa ressalta a importância de tratar a criança com síndrome de Down da mesma forma como os pais lidam com os outros filhos. "Não subestimo a inteligência dela. Conversocom ela normalmente. E quando ela faz alguma coisa errada, leva bronca", diz.
O psicólogo Marcos Augusto de Azevedo afirma que é preciso manter a naturalidade com as crianças que possuem a síndrome, procurando sempre incluí-las socialmente, a partir do conceito de que devem ser aceitas e respeitadas. Para ele, as maternidades deveriam ter equipes multidisciplinares, que contassem também com psicólogos e assistentes sociais, preparados para dar o diagnóstico de maneira mais positiva. "É preciso eliminar as barreiras que impedem o desenvolvimento social pleno da criança", afirma. Ele sugere, além disso, que os currículos médicos incluam disciplinas que ajudem os futuros profissionais a conhecer melhor as diversas deficiências além do fator biológico.
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Atualizado em 08|02|2010
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