Pesquisa indica que quase dois terços dos usuários de computador não têm qualquer antivírus instalado nos PCs
Igor Silveira
Quando a banda larga ainda era uma tecnologia novíssima e o Windows XP não passava de um protótipo nos laboratórios da Microsoft, em 2000, os usuários de todo o mundo já começavam a sofrer os efeitos devastadores de infecções eletrônicas. O desconhecimento colaborava com o mal. O Google, por exemplo, lançado havia pouco mais de um ano e meio, não era tão popular para servir como plataforma de informações sobre ameaças virtuais. Foi exatamente nesse cenário de novidades que um vírus batizado de LoveLetter foi lançado na Ásia, atravessou a Europa e chegou aos Estados Unidos, causando prejuízos de, aproximadamente, US$ 9 bilhões. Uma década depois, estudo divulgado pela fabricante de antivírus Avira revela o comportamento dos internautas em relação à proteção das máquinas. Os ataques de códigos nocivos tornaram-se constantes porque, de acordo com a pesquisa, quase dois terços dos entrevistados não possuíam qualquer tipo de proteção.
Falta de proteção torna os computadores alvos fáceis para a ação dos hackers Foto: Anisio Henriques/ON/D.A. Press
Com base nos dados do documento e em entrevistas realizadas comespecialistas, a reportagem traçou um diagnóstico da situação desses programas perigosos há 10 anos, além de uma projeção para a próxima década sobre o assunto. As questões apuradas apontam para uma readaptação dos vírus de computadores com objetivos cada vez mais perigosos e crimes mais graves. Além disso, o conhecimento dos usuários e a atualização dos antivírus devem continuar sendo as principais alternativas de segurança eletrônica. O desafio dos cientistas é convencer as pessoas que não utilizam qualquer tipo de proteção e aquelas que não atualizam seus antivírus de que as pragas virtuais são graves e de que a prevenção é a melhor opção.
O primeiro vírus surgiu como uma simples brincadeira, em meados da década de 1980, na época em que arquivos essenciais para o bom funcionamento do sistema não eram protegidos. Depois que a memória do computador passou a ser cercada de mais cuidados, as infecções eletrônicas ficaram bem mais complexas. As ameaças levaram a indústria tecnológica a criar antídotos para asameaças virtuais. Assim, em 1989, a IBM apresentou uma novidade que, até aquele momento, parecia surreal: um remédio para vírus virtuais. A epidemia eletrônica tornara-se assustadora e o primeiro antivírus para computadores chegou às prateleiras. Mesmo assim, em 1999, a maior parte dos usuários ainda não cultivava o hábito de proteger as máquinas contra os problemas causados por programas nocivos.
A pesquisa divulgada pela Avira mostra que em 1999 havia pessoas preocupadas com os vírus. Todavia, os 22% de usuários que instalaram alguma proteção em suas máquinas naquele ano, por falta de conhecimento ou simples desinteresse, contavam com programas desatualizados e pouco eficazes. A popularização da internet foi vital para o aumento no número de casos de transmissão de vírus. As trocas de informações pela web também foram catalisadoras para a evolução de programas desenvolvidos a fim de causar estragos em outras máquinas. Mas o grande fluxo de notícias pela rede não trouxe somente aspectos negativos. As páginas eletrônicas ajudaram a alertar sobre as ações necessárias para a precaução de ataques.
O combate aos vírus de computadores movimenta um segmento rentável. As empresas de segurança de rede investem pesado para atualizar os mecanismos de proteção. A rapidez no surgimento de novos arquivos perigosos é tamanha que obrigou esse nicho a fechar um acordo internacional de cooperação. Quando alguma das marcas descobre uma nova ameaça e consegue uma solução, ela tem até 24 horas para dividir o resultado com as concorrentes. O diretor executivo da Aker Security Solutions, Rodrigo Fragola, ressalta que a expansão vertiginosa da internet por conta do bom momento da economia do Brasil pode significar uma retomada de ataques com vírus que estavam superados. De acordo com o especialista, ainda há pessoas com comportamentos ingênuos na rede mundial de computadores, o que facilita a ação de hackers. "Os antivírus, hoje em dia, são mais eficazes porque apresentam características de inteligência artificial. Os mais antigos só conseguiam buscar os vírus conhecidos e pré-determinados pelos programadores", explica Fragola. "Não há programa que seja bom sem conhecimento do usuário sobre o assunto. A pessoa que opera o computador continua sendo peça-chave no processo", completa.
Fazendo uma comparação entre as ameaças virtuais da década passada e as dos dias atuais, conclui-se que a grande diferença são os meios de propagação. O especialista em segurança de rede e professor do Uniceub José Eduardo Brandão lembra que, há 10 anos, grande parte dos vírus era transmitida por disquetes infectados e levava meses para alcançar outros países. "As características dos vírus do presente visam a fraudes na internet e essa é uma tendência que deve durar nos próximos anos. O objetivo é conseguir lucros financeiros e isso estimula, inclusive, a produção regional de vírus, criados especialmente para atacar empresas e instituições financeiras. As dicas de proteção continuam quase as mesmas: manter o antivírus atualizado, não aceitar arquivos estranhos, checar a procedência de e-mails e não clicar em links desconhecidos", ensina.
O que são vírus?
Os vírus de computador são programas desenvolvidos para causar danos a outras máquinas, infectadas, geralmente, por meio de e-mails, proramas de mensagens instantâneas, downloads de arquivos ou links com endeços falsos. Os vírus se manifestam corrompendo arquivos, sequestrando dados, apagando informações, interrompendo o funcionamento do sistema operacional ou comprometendo a inicialização do disco rígido.
Infecções eletrônicas mais comuns
Vírus
Aloja-se em programas reais. Quando os aplicativos são acionados, a ameaça também entra em ação e compromete outros arquivos do sistema. Pode ser programado para se multiplicar e comprometer áreas do computador. QUando é adaptado para e-mail, o vírus pode ser reproduzido e enviado automaticamente para outros endereços eletrônicos.
Warm
Funciona em redes de computadores com falhas específicas de segurança. Quando ativado, um worm gera cópias que vão atuar em outras máquinas com as mesmas brechas. Esse ciclo vicioso permanece enquanto o problema não for eliminado.
Cavalo de Troia
Esse programa, que não se reproduz sozinho, é instalado sob o disfarce de outro aplicativo do computador,como um jogo ou um tocador de arquivos mp3. Quando o falso sftware é aberto, o vírus age no sistema e pode, por exemplo, apagar todas as informações do disco rígido.
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Atualizado em 03|02|2010
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