Primeiro Caderno | Economia Edição de terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Banda larga com preços diferenciados
Lula recebe amanhã quatro opções de modelo. Em um deles a conexão rápida com a internet fica por R$ 35
Micheline Batista // michelinebatista.pe@dabr.com.br
Você pagaria R$ 35 por uma internet rápida de 512 kbps? Pois esse pode ser o preço cobrado dentro do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), que deve ser apresentado amanhã ao presidente Lula. Mas esse é apenas um dos cenários em discussão. Os técnicos elaboraram quatro modelos e caberá ao presidente escolher um ou mais de um para implementar no país. A nova política tem como objetivo a universalização do acesso à internet em banda larga no Brasil e pode ressuscitar a antiga Telebrás.
Em cada um dos quatro cenários os técnicos simularam ofertas com três preços: R$ 15, R$ 29 e R$ 35 por 512 kbps. Segundo o site Teletime (www.teletime.com.br), alguns especialistas avaliam que o preço de R$ 35 pode inclusive ser rentável para o governo. Fontes que participaram do debate sobre o PNBL afirmam que três dos quatro modelos em discussão prevêem uma atuação direta do governo. No primeiro, considerado mais equilibrado economicamente, o Estado teria uma presença forte, encarregando-se de levar a banda larga até o usuário final.
Nova política nacional tem como objetivo a universalização do acesso mais veloz à rede mundial de computadores Foto:Cadu Gomes/CB/D.A Press
No segundo modelo o governo teria uma presença mais ou menos forte, o que em princípio inviabilizaria a oferta de R$ 15. Projeções indicaram que uma operação remunerada a esse preço geraria altos custos, podendo chegar a R$ 40 bilhões em quatro anos. Na terceira opção, onde o Estado entraria minimamente nesse mercado, deixando as empresas privadas agirem livremente, haveria um grande "prejuízo" na relação custo-benefício, mesmo que o preço cobrado fosse de R$ 35.
Já o quarto e último modelo desenhado pela equipe técnica coloca o Estado como um agente do atacado, alugando as redes para as concessionárias. Neste caso, a oferta do backhaul (tronco central) custaria R$ 80, R$ 120 ou R$ 200 para uma velocidade de 512 kbps ao consumidor, que por sua vez pagaria R$ 15, R$ 29 ou R$ 35. Seria o modelo mais vantajoso, uma vez que consumiria menos dinheiro público. Entretanto, haveria um ônus político, pois o Estado não conseguiria regular os preços do mercado. Os técnicos estudam um forma de condicionar a compra de espaço no backhaul à prática do preço estipulado pelo governo.
Para o presidente da Associação Brasileira dos Usuários de Internet Rápida (Abusar), Horário Belfort, a ideia do PNBL é conceitualmente boa, porque vai gerar competição no mercado. "As teles estão aí. Elas têm nos explorado, cobram caríssimo e não têm concorrência", critica. Ele reclama da falta de informações sobre o que está sendo, de fato, discutido no PNBL, e diz que alguém que não conhece os custos finais da prestação do serviço não pode, previamente, estabelecer preços.
"Uma mensalidade a R$ 35 seria factível para o usuário final, mas o governo deveria considerar as especifidades de cada região. Vai ter a incidência de impostos? O dinheiro do Fust (Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações) será usado? Por enquanto, é tudo uma incógnita", questiona Horácio Belfort.
A reportagem procurou a Associação Brasileira de Prestadoras de Serviço Fixo Comutado (Abrafix), através desua assessoria de imprensa, para comentar o assunto, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.
Clique na imagem para
vê-la maior
Edição de terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Edições
anteriores
Selecione a data do
O NORTE que você
deseja visualizar
Copyright
- JornalONorte.com.br | todos os direitos reservados. É proibida
a reprodução parcial ou total do conteúdo
desta página sem a prévia autorização |
atendimento.pb@diariosassociados.com.br