Entre o estuário do Rio Paraíba e a praia de Intermares, em Cabedelo, na Grande João Pessoa, se esconde uma recanto ao qual deram o nome de Jacaré. Um projeto de urbanização e reordenamento, desenvolvido pela prefeitura da cidade portuária, colocado em prática em 2006, realçou as nuances paradisíacas do espaço. O local se transformou então em um atrativo turístico ímpar no Estado. É justamente ali que, embalado pelo 'Bolero', de Ravel, um certo Golfinho resolveu fazer parada. A trajetória dele começou à beira mar antes de chegar à maré, aportando em um dos pôr do sol mais belos do País. O bar e restaurante gera atualmente cerca de 150 postos de trabalho nas três unidades existentes na região Metropolitana.
Fotos: Rafaela Tabosa/ON/D.A Press
Luiz Ramos Cavalcanti, conhecido pelos clientes e funcionários por "Lula", é o proprietário do Golfinho Bar e Restaurante. Natural de Itabaiana, ele se radicou em João Pessoa em 1969. Mas foi em 1990 que surgiu a idéia de abrir o próprio negócio. Aescolha recaiu em um espaço à beira-mar, na rua Arthur Monteiro Paiva, no Bessa. "Existia um bar que se chamava Golfinho's e estava fechado. Então, consegui localizar o proprietário e resolvi comprar. Para isso, troquei uma moto e uma linha telefônica, que na época valia muito, pelo estabelecimento. Coloquei o nome de Golfinho", recordou.
No primeiro dia que Luiz Cavalcanti abriu o empreendimento, precisou fazer alguns improvisos. "Comprei cerveja, guaraná e coca-cola no sábado para pagar só na segunda-feira. Abri no domingo e consegui vender tudo. De lá para cá foi muita luta e teimosia", brincou.
O cardápio original já deixava pistas de que o Golfinho tinha uma ligação direta com o mar e a maré. "Comecei com caranguejo, ensopado, peixes, agulha e frutos do mar. Enfim, iniciamos vendendo mais petiscos. Então, a clientela foi aumentando e exigindo ampliação dos pratos oferecidos pelo estabelecimentos. Passamos também a trabalhar com comidas regionais, a exemplo do arrumadinho. Hoje, além de petiscos, tambémtemos serviço a la carte para refeição", afirmou.
No primeiro ano de funcionamento, o estabelecimento de Lula chegou a contratar dez funcionários. Atualmente, a empresa, que possui uma sede e mais duas unidades, gera cerca de 150 empregos diretamente, sem contar com os postos de trabalho indiretos. "O que acontece é que esse setor de atendimento e lazer é um dos que mais empregam no País", observou.
Em 2002, apareceu a oportunidade de Lula ampliar a empresa, com a aquisição da segunda unidade. Desta vez, a vista mudava. Da beira-mar à maré, o Golfinho passou a vislumbrar as estâncias do Rio Paraíba, às margens do leito. "Escolhi esse espaço porque sempre achei a área do rio muito linda e de fácil navegação. Quando cheguei, a rua ainda era de barro e havia poucos bares. Então, resolvemos colocar música ao vivo no violino, tendo no repertório o clássico Bolero, de Ravel", relatou. "Desde os primeiros dias de funcionamento começamos a ter muitos clientes. Aos poucos, tudo isso aqui começou a se tornar ponto de turismo", acrescentou.
Em torno de 2006, o projeto de urbanização e ordenamento da praia do Jacaré, com um calçadão destinado apenas a pedestre, terminou aumentando ainda mais o fluxo de pessoas nos arredores do Golfinho Bar e Restaurante. Depois do Lote "G", Quadra "A", N° 19, na Praia do Jacaré, o Golfinho resolveu seguir trajetória, sempre no sentido rio e mar. Em 2007, de volta ao nascente, o estabelecimento atracou na terceira parada, abrindo unidade também na rua Argemiro Figueiredo, no Bessa.
O último espaço, adquirido por Lula para colocar a terceira unidade, tem um sentido especial para o empresário. "Foi nesse local, na rua Argemiro de Figueiredo, onde eu pensei em colocar a primeira unidade. Sempre achei linda a vista. Resolvi adquirir", afirmou.
Ao falar da região da beira-mar, onde estão localizadas duas unidades do Golfinho, Lula também ressaltou a necessidade de um projeto para reurbanizar a área. "Esperamos que o projeto da Prefeitura de João Pessoa, esboçado inicialmente ainda no governo de Carlos Mangueira, e também em 2006, na gestão Ricardo Coutinho, seja voltado para a comunidade", observou.
Nesse período de Verão, o bar e restaurante Golfinho é um dos mais frequentados da cidade, tanto por paraibanos como por turistas de outros estados e do mundo. A unidade do Jacaré, em especial, fica sempre lotada, principalmente nos horários próximos ao pôr-do-sol. "Os primeiros quinze dia de janeiro são os melhores para nosso estabelecimento. Depois vem os meses de fevereiro, dezembro, março e novembro, em ordem de movimento", afirmou.
Como acontece desde os dias da fundação, o caranguejo continua sendo o carro-chefe do Golfinho. "geralmente, pedem primeiro um caranguejo, depois passam para uma cervejinha e um petisco e depois até fazem refeição", comentou. "O segredo é muita perseverança e dedicação. Outra dica é fazer com que o pessoal que trabalha para a gente faça isso bem feito e com satisfação. Também é necessária muita renúncia. Nos quinze primeiros anos de empreendimento, eu não tinha Dia dos Pais, das Mães, Ano Novo, Natal, nem outros feriados importantes para a família. No início, eu até buscava encomenda de caranguejo na rodoviária", recordou.
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Atualizado em 10|01|2010
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