Tragédias causadas por fenômenos da natureza sempre provocam perplexidade. Diante delas, impera a impotência humana. O sentimento é o mesmo frente a infortúnios de pequeno porte ou de grandes desditas. O tsunami que em 2006 arrasou cidades asiáticas e roubou a vida de milhares de pessoas mostrou a fúria incontrolável de forças cujo poder escapa do controle das pessoas. O terremoto que abalou o Haiti não deixou pedra sobre pedra. Na capital, Porto Príncipe, ruíram casas, escolas, igrejas, hospitais, parlamento, palácio presidencial. A infraestrutura, precária, sumiu, tragada pela terra descontrolada.
O abalo, cujo poder destrutivo equivale ao de 30 bombas da jogada em Hiroshima, roubou 100 mil vidas e desalojou 3 milhões de pessoas. O Produto Interno Bruto (PIB) do país regrediu 15 anos. Calamidade de tal dimensão comove ocorra onde ocorrer. Mas, quando o palco é o país mais miserável da América e um dos mais pobres do mundo, a carga emotiva cresce. A imagem de homens, mulheres e crianças pedindo socorro sobescombros, e cidadãos sem poder ajudar por falta de pás, escavadeiras, guindastes e tratores, mobilizou os cinco continentes na oferta de auxílio material e humano.
Brasil assumiu papel relevante na reconstrição do país
Tragédia das tragédias: corpos e escombros nas ruas impedem a chegada da ajuda humanitária aos famintos e enfermos. Cadáveres insepultos trazem preocupação adicional - epidemias devem se espalhar pelo território arrasado. Teme-se, com razão, atos de violência: saques a caminhões e locais que armazenam produtos doados por Estados, ONGs e organismos internacionais. O desafio consiste em evitar que o pior aconteça. A saída não se encontra no uso da força. Embora autoridades policiais devam desempenhar seu papel, o principal é socorrer as pessoas, dar-lhes condições de sobrevivência. Água, comida, remédio e abrigo são itens essenciais.
O Brasil assumiu papel de relevância na pacificação e reconstrução do país desde 2004. Nos cinco anos de esforços comandados pela ONU, desarmou milícias, acompanhou eleição presidencial depois de uma quase guerra civil, ajudou no enfrentamento de sequência de tempestades tropicais que desabrigou 1 milhão de pessoas. A tarefa árdua exigirá a multiplicação de esforços. A equipe brasileira, aliada ao empenho mundial, deve levar os haitianos a, mais uma vez, enfrentar os reveses do destino. Pela frente, o reerguimento da nação. É tarefa hercúlea - mas possível.
Mulheres pedem socorro Roberto Rocha - Jornalista e agente da Pastoral da Sobriedade
A mídia nacional e internacional foca diariamente a questão das drogas no Brasil e no Mundo, como o flagelo da humanidade. Na Paraíba, a questão também é focada com muita preocupação. As vítimas do narcotráfico (crianças e adolescentes) estão espalhadas pelo estado inteiro, com grau acentuado nos bairros periféricos da capital. Tomei emprestado parte de um documentário de autoria do doutor Raul de Mello Franco Júnior (Promotor de Justiça no Estado de São Paulo, professor de Direito Constitucional do Centro Universitário de Araraquara (UNIARA) e Mestre em Direito pela UNESP). Jornalista preocupado com a questão divido meu tempo como agente da Pastoral da Sobriedade (Paróquia Sant'Ana - Funcionários II), ajudando na prevenção e na recuperação de dependentes químicos e seus familiares.
Ele diz no seu trabalho que "a disseminação do uso de álcool e drogas é, certamente, o maior flagelo sofrido pela humanidade nos últimos 50 anos. O número de mortos que estas práticas produziram supera as estatísticas de qualquer conflito bélico que a história tenha registrado, sobretudo porque os males não se limitam aos usuários, mas atingem vítimas inocentes. A mudança de hábitos, a flexibilização dos padrões de conduta moral, a instantaneidade das informações e as facilidades da sociedade de consumo, a aparente normalidade do uso corriqueiro de bebidas alcoólicas e cigarros dentro de casa e nos ambientes sociais, a desagregação familiar, a falta de diálogo franco entre pais e filhos, a curiosidade, a necessidade de afirmação perante um grupo, à propagação da idéia de que existem drogas 'inocentes' e, em especial, a ganância de alguns são, entre tantas, algumas das causas desta explosão irracional do uso de álcool e narcóticos", afirmou.
"A vida em sociedade pariu esse estado de coisas. Mas os grupos sociais conscientes não se debruçam diante deste cenário em atitude meramente contemplativa. Mobilizam-se na formação e manutenção de entidades públicas, privadas, religiosas, filantrópicas que, congregando pessoas sedentas de informação e auxílio, fornecem aconselhamento, permitem a troca de experiências e proporcionam tratamento aos dependentes. Mães e pais desesperados batem às portas dessas instituições ou do poder público, relatando que já perderam tudo: a paz, o sono, a saúde, o patrimônio. Agora, estão prestes a perder a esperança e a vida, levadas de roldão pelo comportamento suicida de um filho ou familiar que se atirou no poço profundo do vício, de onde não tem forças para sair", avaliou.
Diante desse episódio gostaria de pedir ao senhor governador José Maranhão, que ajudasse as nossas crianças e aos nossos jovens implantando um Centro Estadual de Apoio ao Dependente Químico, onde o Estado aliado a Igreja passaria a cuidar gratuitamente dos dependentes com tratamento médico-ambulatorial e religioso. Este Centro seria instalado fora do domicílio do dependente: em uma fazenda adquirida pelo governo no município do Conde ou em Alhandra, Sapé, Mari, Rio Tinto, Guarabira,etc, ou em último caso, numa das fábricas desocupadas do Distrito Industrial adaptada para esta finalidade.
Dispomos da Fazenda da Esperança (Alhandra) e da Fazenda do Sol (Campina Grande). Acontece que nem toda família pode custear taxas de entrada e mensalidade. Os preços fixados inviabilizam a internação, principalmente, do dependente pobre. Essas fazendas só recebem homens. No centro eles seriam assistidos pelo Cendac, SEC, SEDH, SEDP, Saúde etc, e evangelizados por religiosos (Comunidades de Vida) que residiriam no próprio centro. No nosso Estado inexiste espaço para acolher mulheres (adolescentes e adultas). Elas são internadas em Garanhuns (PE) abrigo mais próximo da Paraíba.
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Edição de sábado, 16 de janeiro de 2010
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