Primeiro Caderno | Dia-a-dia Edição de quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Casa do artesão sofre sem reforma
Casarão que abriga 62 artistas, no Varadouro, apresenta ação do tempo. Profissionais reclamam da falta de público
Emerson Cunha // emersoncunha.pb@diariosassociados.com.br
Edificação data do século XVIII em uma das ruas mais antigas da capital. Há mais de 25 anos, trabalhores esperam por melhorias no prédio e divulgação do espaço. Foto: Fotos: Fabyana Mota/ON/D.A Press
Quem ali trabalha, guarda histórias de quem já passou do auge das visitas ao abandono geral. Os trabalhadores que hoje permanecem na Casa do Artesão, na Av. Maciel Pinheiro, no bairro do Varadouro, cerca de 62, calejam há mais de 25 anos por políticas públicas que fomentem o comércio de artesanato no local. Tanto calejo, que já criou desesperança diante das promessas dos diferentes governos de reformas no espaço. "Falar, eles falam há muitos anos, mas, de verdade, não fazem nada. Isso daqui toda a vida foi abandonado", argumenta um dos artesãos, o senhor Paulo Guerra, de 51 anos. Como falam entre eles, é um dos "sobreviventes", trabalhando ali por cerca de 17 anos. Entre os maiores problemas, a segurança à noite e a assinatura de contrato para os estandes.
O espaço é composto de uma casa e uma série de estandes e oficinas, que se arrumam ao número de 44 externos, além de 18 boxes internos. O prédio é datado do século XVIII, local construído pelo clero doestado de Pernambuco para hospedar meninas solteiras grávidas, filhas dos grandes latifundiários daquele estado, que desejavam esconder os casos. Foi também sede do Corpo de Bombeiros até três quartos do século passado, em maio de 1984, quando passou a ser um espaço para a produção e a venda do artesanato paraibano. Atualmente, a construção é parte do patrimônio histórico na capital, e sua arquitetura deve ser restaurada pela atual gestão do governo estadual, para revitalizar o espaço dos artesãos. Segundo Morjana Gonçalves, atual diretora-geral da Casa, o plano é reformar as redes elétrica e hidráulica, além de remontar às suas estruturas históricas. "Aqui é produção e venda. Os artesãos aqui criam; os outros compram.", afirmou Morjana, sobre a produção ali realizada.
Além de venderem nos boxes - a grande maioria atualmente fechados -, muitos dos artesãos trabalham na produção, dentro das oficinas, que ficam atrás dos estandes, principalmente os que trabalham com serigrafia e marcenaria. Em alguns casos, osartesãos chegam a produzir dentro das instalações da casa, por conta da insuficiência dos espaço das oficinas. Além dessa, uma outra queixa dos artesãos ali é da necessidade de uma gestão que pense em espaços de formação e discussão da produção artesanal. "Dava gosto. Ninguém podia parar para ficar conversando, porque 4 a 5 ônibus por dia, com visitantes. Eu já fazia tanta coisa, mas agora estacionei nos bonecos e lembranças. Comecei a fazer o que o pessoal procura.", relembra a artesã Fátima Monteiro, de 51 anos, das épocas mais áureas, em que quatro artesãos dividiam um mesmo estande.
Clique na imagem para
vê-la maior
Edição de quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Edições
anteriores
Selecione a data do
O NORTE que você
deseja visualizar
Copyright
- JornalONorte.com.br | todos os direitos reservados. É proibida
a reprodução parcial ou total do conteúdo
desta página sem a prévia autorização |
atendimento.pb@diariosassociados.com.br