Primeiro Caderno | Dia-a-dia Edição de quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Rebelião e um morto em Sapé
Revoltados com a redução de visitas íntimas, dezenas de apenados se rebelaram, ontem, no Presídio Regional de Sapé, a 55km da capital. Um preso foi morto a golpes de estiletes e três ficaram levemente feridos. A Secretaria de Cidadania e Administração Penitenciária nomeou recentemente um novo diretor para o presídio e os presos protestaram por considerar que alguns beneficios foram cortados, entre os quais o direito de receber visitas íntimas durante três dias da semana.
O novo diretor, Josinaldo Bezerra da Silva, decidiu que a visita ficaria limitada a apenas um dia, o que foi suficiente para a rebelião dos mais de 120 presos ontem, que queimaram colchões da unidade prisional. A Polícia Militar foi chamada e como o tumulto era generalizado no presídio foi necessário reforço de policiais do 4º Batalhão de Guarabira, rainha do Brejo paraibano. Eles chegaram a invadir o pátio da penitenciária, queimaram três colchões e danificaram a porta de uma das celas.
A rebelião teve início por volta das 11h e, às 15h, foi que os policiais militares controlaram a situação. O apenado José Aroldo, 25, foi ferido na cela e morreu depois de ser socorrido para o Hospital Regional de Sapé. Ele estava preso acusado de homicídio. Os apenados se revoltaram quando foram informados que a visita íntima ocorreria apenas aos domingos. Várias grades foram arrancadas das celas e jogadas no pátio da unidade prisional.
O detento assassindo durante a rebelião foi identificado como José Lucas da Silva. As causas de sua morte serão investigadas, enquanto que os feridos Ismael Cláudio, Josinaldo Monteiro e Jonas Leotério foram medicados no hospital de Sapé e já estão recolhidos no presídio. O detento Severino dos Ramos, ferido no pé, está no Hospital de Emergência e Trauma, em João Pessoa, e já foi assistido pela equipe médica.
A situação já está normalizada no Presídio Regional de Sapé, conforme informações da Secretaria da Cidadania e Administração Penitenciária (Secap) do Governo do Estado. Por medida de segurança, 13 detentos foram transferidos no final da tarde de ontem para os presídios Regional de Guarabira e o PB1 em João Pessoa.
Cumprindo a Lei
O novo diretor do presídio, Josinaldo Bezerra da Silva, que assumiu o cargo no começo de outubro, revelou que na gestão do ex-diretor Antonio Augusto os detentos estavam tendo duas visitas íntimas por semana e uma visita familiar. A Lei das Execuções Penais só permite uma visita íntima e uma familiar, por semana. Essas irregularidades, constatadas pelo juiz de Direito da Comarca de Sapé, foram corrigidas pela nova administração.
Também foi intensificada a fiscalização sobre a entrada de creme dental para os detentos. Os familiares estavam trazendo dinheiro para eles, enrolado em pequenos sacos plásticos introduzidos nos tubos de creme dental. O protesto dos detentos foi por conta da nova disciplina implementada, que obedece à Lei de Execuções Penais.
Róger
No dia 23, detentos do pavilhão 6 do Presídio do Róger, na capital, amarraram presos a colhões presos nas grades e atearam fogo. Com a perda do controle das chamas, os detentos entram em pânico. O resultado foi 41 feriados e 12 mortos. Para controlar o incênio e salvar as vítimas foi necessária a ajuda de agentes penitenciários e outros presos para quebrar as paredes com picaretas para libertar os apenados da área atingida com o fogo. O Samu metropolitanao de João Pessoa chegou a suspender todos os atendimentos na cidade para socorrer especificamente as vítimas da tragédia. No Hospital de Emergência e Trauma foi montada ala especial para atender os feridos que chegavam à unidade.
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