A Praça João Pessoa, Centro da Capital, ficou agitada durante o dia de ontem. Agentes penitenciários, servidores da Assembléia Legislativa, policiais e delegados civis fizeram mobilizações em prol das respectivas categorias e organizaram um enterro simbólico da palavra do poder público - por não cumprir as promessas feitas. Os aprovados no último concurso de agente penitenciário da Paraíba exigiam a contratação imediata de 1.400 pessoas classificadas no certame.
Segundo Nicássio Cordeiro, membro da Comissão dos Agentes Penitenciários Concursados, os 600 profissionais nomeados assumiram os cargos sem passar pelo curso de tiros. "Além disso, queremos explicações sobre os R$ 214 mil destinados ao curso para nossa formação se nenhum agente recebeu treinamento para iniciar no cargo, aonde foi parar esse dinheiro?", reclamou. Nicássio acrescentou que policiais militares estão executando funções exclusivas de agente penitenciário. "Esses homens eram para estána rua, contribuindo para nossa segurança e não nos presídios já que existem profissionais concursados para garantir a segurança do preso", disse. Em frente ao Palácio da Redenção, uma tenda foi instalada para abrigar um caixão. "Vamos enterrar a palavra do poder público, que promete e não cumpre", concluiu.
Unidos aos agentes penitenciários estavam os delegados e policiais civis. A categoria está em greve há 15 dias. Apesar da paralisação, pelo menos 30% dos serviços estão mantidos, conforme exige a legislação. Os delegados civis pedem paridade salarial com os procuradores do estado. "Estamos pedindo também a complementação de risco de vida. Nossas reivindicações são para o conjunto ou pelo menos um desses benefícios, mesmo assim o governo do estado não tem acatado", afirmou Cláudio Lameirão, presidente da Associação de Defesa das Prerrogativas dos Delegados de Polícia da Paraíba (Adepdel).
Mobilização com várias categorias faz parte das reivindicação por melhorias salarias. População continua penalizada com restrição dos serviços na Paraíba. Foto: Fabyana Mota/ON/D.A Press
Os servidores do poder legislativo também saíram às ruas para pedir ajuste em seus salários. Segundo Lourdinha Dantas,presidente do sindicato da categoria, há mais de 10 anos os funcionários efetivos não recebem aumento salarial. Lourdinha reclamou da dificuldade encontrada pelos servidores para negociar com o presidente da Assembléia Legislativa, deputado Arthur Cunha Lima. "Até agora só conseguimos falar com o secretário da Casa, Valdir Porfírio, mas com Arthur nunca conseguimos falar ele sempre desmarca quando agente consegue agendar uma audiência", reclamou.
Tiros no Centro
Enquanto os Agente Penitenciários concursados organizavam um enterro simbólico da palavra do poder público, um jovem foi atingido por tiros na Rua Duque de Caxias, próximo ao Shopping Terceirão, no Centro.
José Adriano da Silva, 22, estava na companhia da irmã quando recebeu dois tiros. Um pegou na perna esquerda e o outro no ombro direito. O Samu prestou os primeiros socorros à vítima, que foi encaminhado ao Hospital de Emergência e Trauma.
De acordo com populares, o alvo seria Maria da Luz da Silva, irmã da vítima. Maria da Luz era casada com um policial militar da Companhia de Sapé. O Ex-marido estaria insatisfeito com a separação e resolveu assassiná-la. Os tiros não chegaram a atingir a mulher. Segundo a assessoria do Hospital de Trauma, José Adriano não corria risco de morte.
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Edição de quinta-feira, 5 de novembro de 2009
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