O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), estressou demais a relação com o governador de Minas, Aécio Neves, que também pleiteia a vaga de candidato a presidente da República do partido. Fleumático, Serra avisou a gregos e baianos que somente decidirá se candidatar a presidente da República em março. Como esse é o prazo de desincompatibilização do calendário eleitoral, para Serra basta permanecer no Palácio dos Bandeirantes para concorrer à reeleição a governador. Nesse caso, Aécio seria instado pelo PSDB a disputar a Presidência "vendido", pois a decisão de Serra estaria relacionada à real correlação de forças da disputa com os candidatos da situação.
O governador de Minas não aceita essa condição de "reserva", "azarão" ou "candidato pra marcar posição". Nem quer ouvir falar de ser vice na chapa de Serra. Nessas condições, está decidido a disputar uma vaga ao Senado e se dedicar à eleição de seu vice, Antonio Anastasia (PSDB). Pode sugerir o nome do ex-presidente Itamar Franco (PPS) para vice de Serra ou mesmo entregar pra Deus os rumos da sucessão do presidente Lula em 2010. À Serra o que é de Serra: é preciso muito sangue para administrar uma situação como essa. A cúpula do PSDB, porém, ao contrário do governador paulista, está à beira de um ataque de nervos.
Estrela solitária
Defensor ardoroso da candidatura de Ciro Gomes (PSB-CE) a presidente da República, o senador Renato Casagrande (PSB-ES) defende a tese de que a legenda não tem nada a perder mantendo seu candidato, mesmo isolado. Segundo ele, o PT excluiu os demais partidos de esquerda do projeto sucessório de Lula ao fechar com o PMDB o vice de Dilma Rousseff. Em qualquer circunstância, o partido ganharia mais com um candidato próprio no primeiro turno. Outros caciques do PSB, porém, já admitem que o deputado cearense acabará candidato a governador de São Paulo, como quer o presidente Lula. Presidente do PSB, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, virou esfinge.
Polvo
A Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom) tem cadastrados mais de 5 mil veículos país afora. Entre eles, 2.750 emissoras de rádio e 2 mil jornais impressos que recebem o noticiário do Palácio do Planalto. O dado foi apresentado no Fórum Mercados Brasileiros.
Ufa!
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim,vibra com o acordo de Honduras, no qual o presidente eleito Manoel Zelaya voltará ao poder para comandar as eleições marcadas para este mês. A intervenção decisiva dos Estados Unidos para obrigar o presidente em exercício Roberto Micheletti a deixar o poder tirou o Brasil do sufoco e, nos últimos minutos da prorrogação, corroborou a polêmica ação do Palácio do Planalto, que deu abrigo a Zelaya na embaixada brasileira de Tegucigalpa.
Apesar da tentativa do chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência, general Jorge Armando Félix, o Congresso só poderá ampliar o número de membros da Comissão de Acompanhamento das Atividades de Inteligência se o governo alterar a lei do Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin). Vacinado com os desvios de arapongas na Operação Satiagraha, Félix pede, desde o início do ano, a ativação do colegiado para fiscalizar o serviço.
No cafezinho
Submarinos/ O governo abriu crédito especial no valor de R$ 2,1 bilhões para a Marinha implementar o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (no valor total de R$ 18,7 bilhões até 2024). A primeira parcela do contrato acertado com o governo francês, que prevê a construção do primeiro submarino nuclear no Brasil e a aquisição de submarinos convencionais, custará R$ 1,4 bilhão
Compressor/ O Executivo encontrou uma brecha no entendimento do presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), que reduziu o poder das medidas provisórias de travar as votações e novamente pauta o Congresso. Para isso, recorre às urgências constitucionais, já que os projetos sob este regime têm primazia no plenário. Desde maio, foram 15 propostas urgentes, que funcionaram como um rolo compressor. Isso não acontecia desde agosto de 2008.
Brecha/ O projeto de reestruturação administrativa do Senado autoriza que as chefias de gabinete dos senadores, de ocupação exclusiva por servidores de carreira, sejam preenchidas por funcionários comissionados. Há três semanas, a Mesa Diretora da Casa adia a votação de projeto que, além da criação de 106 novos cargos, abre brecha para senadores colocarem apadrinhados no comando dos gabinetes.
Caserna/ A Procuradoria da República no Distrito Federal instaurou inquérito civil para apurar se o Exército discriminou o sargento Laci Marinho de Araújo por sua orientação sexual. Araújo, que pediu baixa há um ano, foi alvo de processos disciplinares e acusado de deserção, supostamente por manter relação com seu companheiro, o ex-sargento Fernando Alcântara de Figueiredo.
Audiência/ A Câmara dos Deputados renovou contrato com o Ibope para medir a audiência da TV Câmara. Os dados da aferição do número de espectadores por região e por horário ajudará no projeto de expansão do sinal digital da emissora. O contrato é de R$ 249 mil.
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Edição de domingo, 1 de novembro de 2009
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