Primeiro Caderno | Economia Edição de domingo, 1 de novembro de 2009
Para começar o próximo ano no azul
Com uma mudança de hábitos e de consumo dá para ter um feliz Natal e próspero Ano Novo
Tatiana Nascimento // tatiananascimento.pe@dabr.com.br
Novembro chegou. O Natal está ficando cada vez mais próximo. Com ele, vem o apelo da compra de presentes, dos ingredientes para a ceia farta em família. Antes de cair em tentação e sair gastando enlouquecidamente o dinheiro do 13º salário e da restituição do Imposto de Renda, pare um pouco e pense. Como anda o seu orçamento? Não custa lembrar que os gastos de agora terão impacto nas finanças dos próximos meses. Ou até dos próximos anos, dependendo do apetite consumista. Claro que não é para se trancar em casa e colocar o dinheiro debaixo do colchão. Mas talvez seja a hora de mudar alguns hábitos. Não seria ótimo começar 2010 no azul?
O consultor financeiro Reinaldo Domingos, autor do livro Terapia Financeira, lembra que o primeiro passo é justamente confirmar (ou descobrir) se está mesmo endividado ou se o salário só dá para pagar as contas e olhe lá. "Só com o diagnóstico é possível constatar para onde o dinheiro está indo. Tem que colocar no papel tudo oque se ganha, tudo o que se gasta, se tem dívida e qual é o valor, se tem dinheiro guardado e em que tipo de aplicação", diz. Com esse raio X , é hora de priorizar os objetivos. Quem deve na praça não tem nada que pensar em redecorar a casa ou considerar a TV de LCD de 42 polegadas um gênero de primeira necessidade.
A dívida está concentrada no cartão de crédito? No cheque especial? Nos dois juntos? As financeiras também entraram na jogada? É preciso solicitar ao credor (ou credores) o histórico dela para saber quais juros foram acrescidos ao montante principal. Com os documentos em mãos - e depois de discutir as opções com um amigo contador ou o profissional de um órgão de defesa do consumidor - dá para partir para a negociação. Se o débito é com um banco, deve-se ir até lá, conversar com o gerente, propor um alongamento da dívida, reduzir os juros ou até trocar a dívida mais cara por uma mais barata (cheque especial por empréstimo consignado, por exemplo).
Consultor adverte que, antes de ir às compras, consumidor deve ter certeza do produto que se quer e se pode investir Foto:Secom-PB/Divulgação
Muitos consultores recomendam o uso de parte do 13ºsalário ou da restituição do Imposto de Renda (para os que ainda não receberam) como forma de se livrar de vez das dívidas. Uma alternativa muito válida. Mas só se for acompanhada por uma mudança de vida. Para Reinaldo Domingos, o mais importante é resolver a causa do descontrole e se equilibrar financeiramente. Depois de descobrir por qual ralo a renda está escorrendo, a correção dos gastos - não precisa almoçar em restaurante todo fim de semana ou assistir a todos os lançamentos do cinema - fará emergir uns poucos ou muitos reais que servirão para quitar as dívidas, depois da negociação com credor.
Extra
O consultor acredita que o dinheiro extra é melhor aplicado no pagamento daquelas despesas tradicionais de todo início de ano: IPTU, IPVA, material escolar dos filhos, taxa dos bombeiros. Os reais que sobrarem (se sobrarem) podem ser devidamente gastos nas compras natalinas. Não sem antes listar o nome de quem se quer presentear e quanto será gasto com cada um. Pesquisar os preços é o mantra a ser seguido. Para quem já está equilibrado, mas gasta a conta pela receita, a época pode ser ótima para aprender a economizar. "É preciso estabelecer uma meta e guardar o dinheiro para isso. E aprender a poupar. O ideal é viver com 80% dos rendimentos", diz Reinaldo Domingos.
Quando investimos com um objetivo específico, fica mais fácil visualizar quanto é preciso juntar. "Sem objetivo, a pessoa pode ser induzida por uma propaganda a comprar algo que nem precisava", reforça. Esse é um problema que o consultor comercial Thiago Lima, 28 anos, não enfrenta. Ele não tem dívidas, controla as despesas e as receitas com ajuda de uma planilha no computador e investe cerca de 30% do salário todos os meses. Fará o mesmo com o 13º e o IR deste ano. "Quando era mais novo, não tinha esse controle e acabava gastando demais". É por pensar diferente que Thiago terá um feliz Natal e um próspero Ano Novo.
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