Uma das distrações preferidas da terceira idade é viajar. Ter tempo e animação de sobra são desculpas perfeitas para sair por aí descobrindo o mundo. Mas não se pode esquecer os direitos garantidos por lei para os idosos, além de umas vantagens extras especialmente dedicadas a quem sabe curtir um bom passeio.
Andely conheceu vários estados do Brasil e percebe que atendimento melhorou Foto: Rafaela Tabosa/ON/D.A Press
Ainda jovem, Andely Pessoa Araújo, 78, conheceu a Europa. Depois que se aposentou, resolveu se aventurar por outros ares. Foi na terceira idade que ela conheceu a Argentina, o Uruguai e quase todo o Brasil. "Você faz amizades, conhece várias culturas diferentes. Hoje, as pessoas da minha idade não são mais consideradas excluídas na sociedade", diz Andely. Ela está certa. Os idosos não são mais os "excluídos" da sociedade, mas não é só isso. Se quiser viajar em ônibus intermunicipais e interestaduais, Andely tem que ficar atenta. "Pelo Estatuto do idoso, todos os órgãos tem que dar gratuidade em dois assentos e 50% de abatimento nos demais assentos, quando os gratuitos forem ocupados", informou o curador de Justiça e Defesa do Cidadão, Valberto Lira. Esse benefício é garantido em todos os horários de viagens no Terminal Rodoviário de João Pessoa. A administração do Terminal ainda informou que as reservas devem ser feitas com antecedência. O idoso deve ir pessoalmente ao Terminal, com a xerox da carteira de identidade. Em viagens interestaduais, devem levar também a xerox do comprovante de renda, que não deve ultrapassar dois salários mínimos, condição para receber o benefício.
Depois de garantir esses direitos, vem a melhor parte: conhecer lugares novos. O problema é que "novo" nem sempre significa "preparado". "Algumas cidades muitas vezes não tem rampas, pontos históricos precisam de reforma para receber esse público", aponta José Carlos Soares de Melo, guia e técnico turístico, que acompanha a terceira idade em viagens há 12 anos. A dificuldade de locomoção é uma realidade muito presente no cotidiano desse público, por isso a acessibilidade facilitada éimportante. Dona Andely tem observado que esse quesito já vem melhorando nos últimos anos. "Existem acessos de rampa para quem tem qualquer problema e, em todo lugar, os garçons são pessoas atenciosas", diz a aposentada.
No fim das contas, o melhor mesmo das viagens com a terceira idade é o diferencial. Esse público também tem o direito de brincar e se divertir, se informando e conhecendo a história dos lugares por onde passa. Apesar de ter viajado por tudo que é lugar, Dona Andely acabou gostando mais de sua última viagem, onde conheceu cidades do sul de Minas Gerais. "A gente reviu coisas que eram da época de colégio, como brincadeiras e músicas", lembra a aposentada. José Carlos, que foi o guia da viagem, ainda inclui na programação palestras sobre a Filosofia do Abraço e muitas outras no Encontro da Feliz Idade. "Nós fizemos aquecimento, caminhada, visitamos as cidades históricas. Fechamos em São Lourenço, que tem água sulfurosas, com finalidade terapêutica", informa José Carlos. Ter um guia como ele, preocupado tanto com a diversão, como com o bem estar dos idosos é um privilégio e até um direito. "Os ônibus tem que ser apropriados, a gente dá toda a assistência, dando a mão para eles subirem e descerem. Nós temos as fichas de todos, com informações sobre os remédios, levamos primeiros socorros e orientamos os que não tem condições de viajar para que eles fiquem", diz o guia.
Na hora de viajar, não se deve descuidar de nada. A terceira idade tem direitos antes de comprar a passagem, subindo nos ônibus, chegando nas cidades, e até na volta para casa. Se divertir exige muita disposição e também atenção para esses direitos, além de não esquecer da saúde. No mais, é só cair na festa.
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Edição de domingo, 1 de novembro de 2009
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