Primeiro Caderno | Dia-a-dia Edição de domingo, 1 de novembro de 2009
Formação variada valoriza potencial de beneficiárias
A cada ano, o número de pessoas que abre mão do Bolsa Família voluntariamente aumenta. Este ano, houve um crescimento de 57% nos desligamentos voluntários, em relação ao ano passado. A maioria ainda é referente ao recebimento da aposentadoria, porém alguns casos são de pessoas que já não precisam do benefício.
Telma Maria (foto maior) e Dalvacir esperam conseguir renda com atividades Fotos: Ovídio Carvalho/ON/D.A Press
Há cerca de um ano, mães do Conjunto Valentina Figueiredo que recebem o Bolsa Família, foram contempladas com um curso de culinária básica. Para dar continuidade à produtividade que já dava resultados no início do programa, a PMJP se reuniu com essas mulheres e propôs a abertura de uma cozinha comunitária. "Nós recebemos três cursos: Culinária básica, Manipulação de alimentos e Administração. Cada um de três meses", diz Telma Maria Oliveira, uma das beneficiadas. Para ela, sair de uma estado em que não conseguia sustentar as duas filhas, para uma vida de aprendizado e respeito à vida, proporcionou a ela um crescimento pessoal. Ela e suas amigas da cozinha trabalham para um dia, poder sustentar a família sem o benefício e ser um exemplo para outras famílias.
Dalvaci Pereira de Carvalho, que tem 5 filhos, vivia em casa e dependia do pouco dinheiro que o marido conseguia em trabalhos arranjados, como bicos, que não tinha todos os dias. "Era muita dificuldade, faltava emprego. Eu não podia sair de casa, porque não tinha com quem deixar os meninos pequenos para ir trabalhar", lembra a cozinheira. Tendo passado muitos anos sem poder alimentar os filhos como deveria, Dalvaci resolveu buscar o auxílio do governo. Agora que tem uma qualificação, espera ganhar certa estabilidade para só depois procurar um emprego remunerado. "Faz um ano e cinco meses que estou na cozinha. Melhorou bastante minha vida", diz a mãe.
Para Telma, que recebe o Bolsa Família há quatro anos, a ajuda também trouxes muitas mudanças boas. "Tanto mudou para mim, quanto para minhas filhas, porque até então elas não estavam na escola. Hoje elas vão para a escola de manhã e à tarde para o PETI", diz a cozinheira. Profissionalmente, ela é um exemplo de determinação. "Agora a gente tem condições de administrar melhor o dinheiro. Mudou a questão financeira, a convivência, a gente fica o tempo todo lidando com o público, todo dia a gente aprende", conta Telma. E ela não se sente desamparada nunca com o benefício. Fica feliz porque sabe que os cursos não acabaram. Nas reuniões com a Prefeitura, Telma e as amigas pedem novos cursos se acharem necessário, dão sugestões, investem no próprio negócio, que não ao menos é remunerado.
A cozinha comunitária do Valentina é um exemplo de que o Bolsa Família forma cidadãos melhores. E esse é verdadeiramente o objetivo do programa. Antes, pessoas que tinham que pedir esmolas e fazer sacrifícios para comer, hoje conhecem seus direitos e participam ativamente de suas comunidades. São exemplos de superação e reconhecimento a um esforço que sabem que não é só deles. Toda a população faz parte desse benefício e portanto, devem saber que pessoas como Telma e Dalvaci, souberam agradecer e têm muito a dar.
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