Primeiro Caderno | Dia-a-dia Edição de domingo, 1 de novembro de 2009
Opção requer cuidados
Uma solução de abastecimento encontrada por alguns moradores de João Pessoa, é a construção de poços artesianos. O especialista no assunto José Wellington Stanford Dantas demonstrou que o município de João Pessoa encontra-se totalmente inserido em uma bacia sedimentar (Bacia Pernambuco-Paraíba ou Bacia Paraíba), "uma área composta predominantemente por três seqüências: sedimentos de praias e aluviões, coberturas elúvio-coluvionares e formação barreiras".
Os nomes são um pouco complicados para quem não domina o assunto, mas em resumo todas estas unidades são classificadas como sendo formações superficiais e comportam os "lençois freáticos" em toda a área municipal. A captação através de poços tubulares é relativamente fácil. Em torno de no máximo 55m de profundidade encontra-se água. Contudo, se mal feito, a solução pode virar um grande problema.
Numa reunião de condomínio há dois anos os moradores do Residencial Colinas do Sul, no Bairro dos Bancários, aprovaram a construção de um poço artesiano após avaliação detalhada dos custos e vantagens envolvidos. O valor da última conta de água dos 32 apartamentos, referente a janeiro de 2007 foi de R$ 1.500. "Mas nós incorremos no erro de contratar um serviço clandestino, indicado por um conhecido. Os custos seriam de R$ 9 mil para a construção do poço, mais a bomba que sai em torno de R$ 1.300. Fizemos o serviço, e começamos a usar o poço", contou o síndico do condomínio, Fábio Roberto Ferreira.
Fotos: Ovídio Carvalho/ON/D.A Press
A história que deveria ter um final feliz tomou outro rumo. De repente, a bomba começou a estragar. Quando era levada para o conserto a assistência técnica argumentava que estava entrando areia no equipamento e que isso não era defeito técnico. Duas bombas foram trocadas. Como se não bastasse, começou a sair areia pelas torneiras até ao ponto de entupir o chuveiro da piscina. "A incomodação foi tamanha que, dois anos depois de instalado o primeiro poço, resolvemos entrar em contato com uma empresa especializada e solicitar um orçamento para a construção de um poço devidamente legalizado", prossegue o síndico.
O valor total para a outra obra foi de R$ 12 mil. Quando técnico verificou o poço antigo detectou diversos defeitos. "Estava torto e não tinha contenção da parede, que é feita utilizando-se cascalhos. Por isso caía areia," diz o síndico Fábio Roberto. Além disso, o poço clandestino corria o risco de ser lacrado pela fiscalização.
O especialista José Wellington informa que o poço artesiano deve ter liberação por parte do órgão gestor das águas e de impacto ambiental (AESA), e que seja contratada uma empresa com experiência no ramo, cadastrada ao Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CREAA), a qual encaminha a documentação para obter a liberação legal de uso.
Conta alta
No Condomínio Reinos do Sul, próximo ao Condomínio Colinas do Sul, também no Bairro dos Bancários, com 24 apartamentos, o valor médio do consumo mensal atual é R$ 1.400. O síndico Valmir Nascimento informou que os moradores não pretendem instalar um poço artesiano. O principal argumento é aincerteza da qualidade da água.
De acordo com informações da Gerência de Controle de Qualidade da Cagepa, o monitoramento da qualidade da água potável distribuída para João Pessoa e Região Metropolitana é feito diariamente nos reservatórios de distribuição da Cagepa e nas torneiras de entrada de domicílios, através de coleta e análise de amostragem. A água é própria para consumo e pode inclusive ser ingerida.
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