Primeiro Caderno | Dia-a-dia Edição de domingo, 1 de novembro de 2009
Peregrinação pelo saber
Estudantes precisam se deslocar de seus bairros para ter acesso às bibliotecas distantes da zona rural e periferia
Fernanda Medeiros // fernandamedeiros.pb@diariosassociados.com.br
Quem mora em bairros distantes do Centro de João Pessoa ou de alguma universidade, fica quase sem acesso às bibliotecas. A capital dispõe de duas unidades de informações públicas, uma localizada na Avenida General Osório e outra no Espaço Cultural, que está em reforma. Diante da realidade, uma verdadeira peregrinação em busca do saber é trilhada diariamente por adolescentes, jovens e adultos que necessitam pesquisar.
Maria da Penha, moradora de Gramame, quando precisa pesquisar no Centro enfrenta cerca de duas horas de trajeto Foto:Fotos: Fabyana Mota/ON/D.A Press
Quem mora em localidades afastadas como o Vale do Gramame, tem que percorrer quase 20km até o Centro. A solução para estes moradores, a maioria agricultores, cujos filhos estudam em escola pública, é tentar "beber" da fonte do saber em bibliotecas privadas.
Um exemplo é a estudante Maria da Penha Teixeira de Sousa, 18. Ela mora no Vale do Gramame, zona rural de João Pessoa, e começou a frequentar a Ong Escola Viva Olho do Tempo, próximo a sua casa. "Usava esta biblioteca para fazer atividades escolares. Hoje, sou educadora da EscolaViva Olho do Tempo e coordeno a biblioteca". A jovem continua usando o espaço. "Utilizo os livros para pesquisar e estudar".
Qualquer estudante que queira utilizar uma biblioteca pública no centro o caminho é longo, chega a ser desmotivante. "Fiz um curso de capacitação na biblioteca do Sesc/Centro e para chegar até lá a gente tem que pegar um ônibus e passar duas horas até o destino".
Do outro lado da cidade, na orla, a história se repete. Quem mora no Bessa também enfrenta dificuldades. Esta "saga" o estudante Bonifácio Ramos Badu, 20, enfrenta quando busca conhecimento em bibliotecas. "Onde moro não existe biblioteca. Sempre ia até o Centro, ficava algumas vezes na Biblioteca Pública. "Sempre que posso vou até uma biblioteca para conhecer o acervo e dar uma lida nos jornais".
Bonifácio se desloca do Bessa à área central em busca de leitura. Fotos: Fabyana Mota/ON/D.A Press
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