Colunas Edição de quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Opinião
Rio tem chance de virar o jogo
Nenhum incidente mais grave foi registrado nas duas semanas de julho de 2007 em que o Rio de Janeiro sediou os Jogos Pan-Americanos. Com investimentos de quase R$ 600 milhões e 18 mil homens nas ruas, assegurou-se uma trégua em que os índices de criminalidade foram reduzidos em 60%. Mesmo nessas situações, a eficácia da ação do Estado é vista com desconfiança, com suspeitas da existência de uma espécie de pacto informal de paz entre o poder público e a bandidagem. Ou seja, a sensação de segurança é tênue e tem a mesma curta durabilidade do evento. Portanto, o sucesso de outrora não vale como garantia de tranquilidade para a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016.
Menos ainda diante de imagens como as de sábado último. Chocantes, elas mostraram um helicóptero da Polícia Militar que explodiu, matando dois de seus ocupantes (um terceiro morreu ontem), depois de ser fuzilado por traficantes, e ônibus ardendo em chamas em vários pontos da Cidade Maravilhosa. No dia seguinte, a contabilidade da violência registrava 19 mortos e vários feridos. A reprodução de cenas típicas de guerrilha urbana certamente tem maior repercussão internacional quando os dois mais importantes acontecimentos esportivos do planeta estão agendados para o mesmo palco, num horizonte de tempo exíguo. Olhar para trás e apontar um interregno em que o Estado teve o controle da situação não serve ao Rio nem ao país. Cabe às autoridades assumir, o quanto antes, o poder de fato e de direito na capital fluminense.
O quadro é complexo, mas a guerra não está perdida. Pelo contrário. Algumas batalhas têm sido ganhas. Nos últimos três anos, caíram no Brasil, indo parar atrás das grades, três dos maiores traficantes do mundo (os colombianos Pablo Rayo Montano, Juan Ramírez Abadía e Jorge Enrique Rincón Ordoñez). O combate ao tráfico de armas já provoca efeitos colaterais, como assaltos a empresas de vigilância, postos policiais e fóruns de Justiça, que precisam cuidar melhor do arsenal. Da mesma forma, o cerco ao refino da cocaína faz a droga, paulatinamente, vir sendo substituída pelo crack, que passa a merecer maior atenção. Destaca-se, ainda, o fato de o sistema de segurança do Rio ter sido revigorado por ocasião do Pan, com capacitação de pessoal, aquisição de veículos, aeronaves e equipamentos de ponta, em especial na área de tecnologia de informação e comunicação.
Urge incrementar as ações de inteligência e apertar o cerco ao crime organizado, com foco não nas operações em morros e favelas, que deixam os moradores sob fogo cruzado, mas em suas fontes de financiamento. A Copa do Mundo e as Olimpíadas são, mais do que enorme desafio, oportunidade ímpar de investimentos na área. Só não dá para esperar 2014. O poder de cooptação do tráfico também precisa ser destruído, com projetos de cunho social, que resgatem comunidades inteiras da marginalidade, incluindo desde a urbanização e legalização de áreas à oferta de moradias dignas, trabalho e renda. Por fim, que se tenha em mente que esse não é um problema exclusivo do Rio de Janeiro. Trata-se de um cancro a ser extirpado da vida nacional.
Gestão do Conhecimento e Ciência da Informação Por Emeide Nóbrega Duarte - Profa. do Departamento de Ciência da Informação do CCSA da UFPB
No Brasil, as questões de desigualdade persistem e concentram-se na raiz dos desafios enfrentados em sua busca por desenvolvimento humano. Entre esses desafios encontram-se a erradicação do analfabetismo, a melhoria da qualidade da educação, a redução da vulnerabilidade ambiental, dos conflitos sociais e da violência, a redução da pobreza, da miséria e da exclusão, a promoção da diversidade cultural e a generalização do acesso às novas tecnologias da informação e da comunicação. Por essa razão, a gestão baseada no conhecimento necessita ser baseada na responsabilidade. Mas os indivíduos, especialmente, os que detêm conhecimento, necessitam de outra esfera da vida social, das relações pessoais e de colaboração. Essa só pode ser satisfeita pelo setor social. As necessidades sociais tendem a aumentar, por isso, é conveniente lembrar que em cada área do saber, há sempre uma solução pronta para ser utilizada. Por que não compartilhar? Mais do que um plano de governo, deveria ser criado um Plano Social, no qual cada um apontasse uma solução incluindo sua contribuição para um futuro melhor para toda a sociedade.
Em nome da Gestão do Conhecimento ou da Ciência da Informação ou da interface entre as duas, as pessoas clamam por soluções para um mundo mais justo com maior qualidade de vida, o que motiva a seguinte pergunta: O que pode ser feito? Um programa de comunidades de prática que inicie numa fase embrionária pelo bate - papo, por exemplo, de um grupo de vizinhos num povoado do interior. O importante não é a tecnologia usada para promover a comunicação, mas a comunicação em si. Não é o nome sofisticado de abrangência da iniciativa, mas seu conteúdo. O mais relevante numa comunidade de prática é a passagem de conhecimento tácito, de socialização daquilo que cada um aprendeu para beneficiar o outro. A comunidade de prática deve ser mediada, isto é, deve ter um mediador responsável pelo seu conteúdo, por sua abrangência, pelas pessoas autorizadas a participar e pelo fluxo de mensagens pertinentes com cada área de conhecimento.
Assim, iniciativas de Gestão do Conhecimento podem ajudar uma comunidade menos favorecida a se beneficiar de conhecimentos que lhes ajudarão a almejar maiores oportunidades de melhoria de vida. Enquanto, os conhecimentos advindos da Ciência da Informação permitem traçar os fluxos de informação que possibilitarão estruturar as comunidades de prática, independente das enormes distâncias que possam separar seus colaboradores e beneficiados.
Assuntos dessa natureza serão discutidos durante o X Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação (Enancib), que será realizado, de 25 a 28 de outubro, no Campus I da Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa. O Encontro está sendo organizado pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação do Centro de Ciências Sociais Aplicadas, em parceria com o Departamento de Ciência da Informação, com apoio da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação da UFPB e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).
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