O momento de pânico passou, mas a famigerada influenza A (H1N1) provocou mudanças que ainda podem ser observadas no cotidiano da Paraíba. Desde agosto, o Aeroporto Internacional Castro Pinto, em Bayeux, a 9km da capital, retirou os seis bebedouros do local, e os passageiros e visitantes são obrigados a comprar água mineral nas lanchonetes. A medida foi uma determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e sem sua autorização, o aeroporto e outras instituições não podem recolocar os bebedouros, sob risco de multa.
Por dia, passam cerca de 4 mil pessoas pelo Castro Pinto, entre embarques e desembarques. A medida deve continuar em vigor por tempo indeterminado Foto: Fabyana Mota/ON/D.A Press
Segundo um boletim do Ministério da Saúde divulgado na última segunda-feira, os casos graves de gripe suína caíram 97,3% de 8 de agosto a 10 de outubro deste ano. Mesmo assim, as medidas de prevenção continuam em vigor. "Se a Infraero não cumpre a notificação da Anvisa, pode levar multa", justifica o superintendente em exercício do aeroporto, André Guerra. Algumas alternativas foram descartadas pela superintendência do aeroporto,por ser muito custoso. O gerente de operações, André Sena, informou que passam cerca de 4 mil pessoas todos os dias no aeroporto Castro Pinto, o que inviabiliza um investimento massificado sem falhas. "Se a gente deixar alguma vez sem o copo, é notificado pela falta. É a velha história: se correr o bicho pega, se ficar o bicho come", explica o gerente.
Medida evita disseminação da gripe suína
Embora provoque uma pequena despesa extra para os visitantes do aeroporto, a maioria concorda com a medida. "No aeroporto tem um pessoal mais de classe alta. É raro uma pessoa reclamar", observa Gilson Marques, proprietário de uma lanchonete do local. Ele e os outros proprietários fornecem garrafas e copos de água por um preço considerado normal, como notou a turista Arlete Bernini, acostumada a pagar muito mais caro em Ponta Grossa, Paraná, sua cidade natal. "Eu não faço uso de bebedouros jamais, prefiro ficar com sede ou comprar água", afirma a turista. A administradora Aparecida Nóbrega, pronta para viajar com as duas filhas, não deixa que as crianças corram nenhum risco. "Não custa nada trazer uma garrafinha de água de casa ou comprar uma aqui. É uma das maneiras de prevenir. Vai custar bem mais barato que uma gripe", diz Aparecida.
Os bebedouros continuam suspensos, sem previsão de retorno. Contudo, André Sena lembra que esse serviço era uma facilidade e não uma obrigatoriedade. O superintendente André Guerra mostra o aviso colocado em todos os pontos onde ficavam os bebedouros, informando que a retirada foi uma determinação da Anvisa, por causa da gripe. O procurador Regional dos Direitos do Cidadão, Duciran Farena, informou que o Ministério Público Federal não recebeu nenhuma reclamação da população sobre a medida, mas caso haja algum incômodo, tanto no Aeroporto Castro Pinto como em outras instituições, os cidadãos podem entrar em contato pelo telefone 3044 6200, ou pelo site da Procuradoria da República na Paraíba (www.prpb.mpf.gov.br).
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Edição de quarta-feira, 21 de outubro de 2009
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