Reitores cobram explicações sobre vazamento de prova
Gestores de 55 universidades federais chegam amanhã a Brasília para encontro com Ministro da Educação
Brasília - Os 55 reitores das universidades federais virão a Brasília amanhã ou na terça-feira para discutir o vazamento da prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Em encontro com o ministro da Educação, Fernando Haddad, os dirigentes deverão conversar sobre os procedimentos de segurança do Enem e sobre a data das novas provas. Em 2009 o exame será utilizado por cerca de 40 universidades federais como critério de seleção. Em algumas instituições, a prova substituirá os vestibulares tradicionais.
A presidente do Consórcio Nacional de Avaliação e Seleção (Connasel), Itana Marques, responsável pela execução do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem), disse que todos os critérios de segurança previstos no contrato foram cumpridos e que a credibilidade do exame está assegurada.
Os representantes das empresas que compõem o consórcio se reuniram na última sexta-feira com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) para reorganizar a logística da aplicação da prova. A data ainda não foi definida e os detalhes do cronograma só devem ser divulgados amanhã. "O fato, para nós, também foi doloroso e traumatizante. Estamos dispostos a fornecer todas as informações necessárias à Polícia Federal para que o caso seja esclarecido", disse Itana, que classificou o vazamento da prova como "caso de polícia".
O presidente do Inep, Reynaldo Fernandes, disse que o objetivo da reunião não é investigar onde ocorreu a fraude porque isso, segundo ele, é função da PF. Sobre a competência do Connasel para aplicar o Enem, Reynaldo disse que não existe nenhuma grande empresa de seleção que não tenha passado por problemas como fraudes ou vazamento de informações e por isso esse não foi um critério de escolha.
Itana também afirmou que toda empresa conhece os riscos de enfrentar um problema como esse quando participa de um processo licitatório. Segundo ela, o processo de distribuição das provas foi interrompido logo depois que o vazamento foi confirmado. As provas foram recolhidas e estão armazenadas em um local sigiloso.Elas estão à disposição da PF para investigação.
O Connasel foi formado para participar da licitação do Enem 2009 e é composto pela Funrio, pela Consultec e pelo Instituto Cetro. A Consultec, que é da Bahia, já teve problemas de fraudes em vestibulares, inclusive com o vazamento de provas. Mas segundo Itana, não há "analogia" entre os dois casos. A reunião encerra hoje e as definições mais concretas, como as novas datas de aplicação da prova, só devem ser anunciadas na próxima semana.
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Edição de domingo, 4 de outubro de 2009
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