Pesquisadora da Unifesp conclui estudo que mostra como a ioga reduz níveis de depressão e ansiedade nos praticantes
Paloma Oliveto
Há oito anos, a terapeuta Thais Godoy teve síndrome do pânico e, na tentativa de se livrar do problema, procurou a ioga. Gostou tanto que, de praticante, virou instrutora. Agora, ela acaba de comprovar, num estudo apresentado na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que a atividade milenar surgida na Índia reduz significativamente os níveis de depressão e ansiedade.
A empresária Valéria Silva, 43, pratica os exercícios desde 2005. "Minha vida mudou completamente", garante Foto: Zuleika de Souza/CB/D.A Press
Durante três meses, a pesquisadora do Instituto de Medicina Comportamental do Departamento de Psicobiologia da Unifesp comparou dois grupos de funcionários da mesma empresa, com idades entre 20 e 45 anos e com diferentes ocupações. Entre os que praticaram ioga, 68% apresentaram melhora na depressão e 76% relataram estarem menos ansiosos. Eles realizaram a atividade duas vezes por semana, durante 40 minutos. A técnica escolhida foi a ashtanga, na qual as posturas físicas preparam o corpo para a meditação e a respiração corretas.
Antes de os funcionários começarem as aulas de ioga, a pesquisadora mediu o nível de ansiedade,qualidade de vida e depressão de cada um deles com base em questionários de avaliação clínica. O grupo que iria praticar a atividade apresentou 24% de ansiedade no grau mínimo, 52% no moderado e 4% no grave. Depois de três meses, os índices caíram para 19%, 6% e 0%, respetivamente. Ao mesmo tempo, no outro grupo, que manteve a rotina, sem a prática da ioga, somente 7% relataram melhora nesse quesito. Para ter certeza de que os benefícios estavam ligados diretamente à ioga, Thais Godoy excluiu pessoas que tomavam medicamentos controlados e faziam psicoterapia.
"Eu sempre tive os relatos pessoais dos alunos de que estavam mais calmos e tranquilos, mas faltava a comprovação científica", diz a pesquisadora, sobre a motivação para realizar o estudo. Ela explica que a ioga traz a melhoria na qualidade de vida dos praticantes por dois motivos essenciais: a respiração e a concentração. "A respiração é a grande porta para acalmar fisiologicamente o organismo. Isso porque, quando a pessoa está irritada, o corpo trabalha em estado de alerta. A respiração adequada ativa o sistema parassimpático, diminuindo a frequência cardíaca", diz.
Localizado no cérebro, o sistema parassimpático é responsável por estimular o organismo a reagir de forma calma diante das adversidades. Além da diminuição dos batimentos, também reduz a pressão arterial, a adrenalina e a concentração de açúcar no sangue. Por outro lado, a ioga, segundo Thais Godoy, melhora a concentração e, ao fazer isso, ajuda a organizar o fluxo de pensamento. "Mesmo quem não acredita nos benefícios da ioga melhora com a prática, porque é uma resposta fisiológica do organismo. Mas é claro que o comprometimento da pessoa faz muita diferença", diz.
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Atualizado em 28|09|2009
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