Primeiro Caderno | Política Edição de domingo, 4 de outubro de 2009
Troca de farpas azedou relacionamento
Nas viagens ao interior do estado, Ricardo chegou a se apresentar como "o novo" e a pregar que a Paraíba carece de um projeto de desenvolvimento mais consistente e avançado. Maranhão dirigiu farpas a Ricardo e, num momento infeliz, disse ter "pena" dele por se aproximar de um cassado. A convivência, a partir daí, só fez azedar. Ambos travaram, também, uma queda de braço pelo apoio do PT paraibano. O vice de Maranhão, Luciano Cartaxo, é filiado à legenda mas já foi líder de Ricardo no legislativo pessoense. Maranhão cooptou deputados estaduais petistas para sua base e nomeou filiados ilustres para cargos estratégicos. Ricardo ganhou um aliado de peso, o deputado federal Luiz Couto, atual presidente do diretório regional do PT, lançado candidato a uma vaga de senador na chapa encabeçada pelo prefeito. A direção nacional petista preferiu adiar para 2010 uma tomada de posição no intrincado xadrez político paraibano.
Um outro "round" da animosidade entre Maranhão e Coutinho foi travado esta semana, quando o governador convidou o deputado estadual Leonardo Gadelha, do PSB, para assumir a secretaria de Infraestrutura, o que permitiu a ascensão à Assembleia da advogada Nadja Palitot, ex-presidente do PSB e dissidente ostensiva de Coutinho. No reverso da medalha, o ex-governador Cássio retornou à Paraíba admitindo a candidatura de Cícero Lucena (PSDB) ao Executivo mas pregando ampliação da frente de oposição a Maranhão, na qual incluiu Ricardo Coutinho. O DEM, do senador Efraim Morais, que segue a liderança de Cássio, corteja uma composição com Ricardo na chapa majoritária. Maranhão fez acenos seguidos de aproximação com o prefeito, lançando-o como alternativa ao Senado. Ricardo ignorou os "mimos". O governador e o prefeito possuem trajetórias políticas distintas e são conhecidos pelo temperamento forte, que muitos analistas definem como "personalista". Ricardo propôs, agora, uma nova hegemonia na conjuntura de poder na Paraíba e reafirmou que não descarta o PSDB no projeto, chegando a censurar a "fulanização" que impera na política local. O rompimento Ricardo-Maranhão se deu na semana decisiva dos prazos para troca-troca de agremiações.
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