Primeiro Caderno | Política Edição de domingo, 4 de outubro de 2009
Ricardo e Maranhão: profecia confirmada
Aliados em outras batalhas, lideranças vão mesmo se confrontar na disputa pelo governo da Paraíba no pleito de 2010
Nonato Guedes // nonatoguedes.pb@diariosassociados.com.br
Oprefeito de João Pessoa, Ricardo Coutinho (PSB) e o governador José Maranhão (PMDB), que estiveram juntos em palanques por ocasião de recentes e consecutivas pelejas eleitorais na Paraíba, encaminham-se para o confronto na disputa majoritária no próximo ano. Confirma-se, desta forma, uma especulação com ares de profecia que dominou o noticiário desde que Maranhão voltou ao governo, em fevereiro de 2009, por via judicial, devido à cassação do tucano Cássio Cunha Lima pelo TSE. Esta semana, Maranhão admitiu desgaste na relação, enquanto Ricardo se disse "saturado" de atitudes hostis que viriam sendo fomentadas por JM, inclusive com ingerência nas fileiras do PSB mediante a atração de políticos que divergem da orientação do alcaide como presidente estadual da legenda.
Na versão de Ricardo, Maranhão tentou desestruturar o PSB valendo-se de jogo de gabinete, diferentemente de Cássio, "que nunca buscou interferir na legenda". E foi mais além: "Mas somos acostumados a nadar contra a correnteza. Venho de lutas populares". Enigmático, Coutinho provocou: "Maranhão sabe o que aconteceu de fevereiro para cá". O governador, por sua vez, queixou-se de investidas pré-eleitoreiras de Ricardo, percorrendo municípios do interior sob a alegação de estar expondo projetos administrativos executados na capital. Oriundo do Partido dos Trabalhadores, do qual se desvinculou diante de processos de expulsão, Ricardo assinou ficha no PSB e, em pouco tempo, foi entronizado na direção da legenda. Colecionou vitórias como vereador, deputado estadual e, por duas vezes, elegeu-se prefeito, em 2004 e 2008. Na campanha de Maranhão, em 2006, Coutinho emprestou apoio à sua candidatura. Em contrapartida, tanto em 2004 como em 2008, Maranhão pediu votos para o prefeito, chegando a indicar o vice de Ricardo, o hoje deputado federal Manoel Júnior, na primeira contenda. Na última, o atual governador tentou impor um nome para a chapa, no entanto, Ricardo formou composição "puro sangue", escolhendo,do bolso do colete, o técnico Luciano Agra, que fazia parte da sua equipe e é filiado ao PSB. No processo em que Maranhão lutou para cassar Cunha Lima, Ricardo manteve eqüidistância, limitando-se a afirmar que respeitaria a decisão da Justiça.
Os analistas identificam, já aí, sinais de distanciamento político. O retorno de Maranhão ao Palácio da Redenção provocou uma concorrência com Ricardo, em preparação para idêntico projeto. Sucederam-se, então, os conflitos. Ricardo manteve relação protocolar com Maranhão desde sua reinvestidura em 2009 e evitou pedir audiência em Palácio. As parcerias administrativas entre estado e município foram congeladas. Maranhão convidou políticos do PSB para secretarias de seu governo, e Ricardo queixou-se que não foi consultado. Prestigiado pela cúpula nacional do PSB, o prefeito recorreu a recursos próprios e a verbas federais para levar à frente projetos de impacto em João Pessoa. Na mesma proporção, ensaiou passos de aproximação com Cássio, com quem teria conversado mesmo quando este se encontrava em temporada nos Estados Unidos.
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