A luta contra o aquecimento global exigirá atuação obstinada dos países industrializados entre 2010 e 2050. Juntos, terão que pagar entre US$ 75 bilhões e US$ 100 bilhões anuais às nações em desenvolvimento. É o que alerta estudo divulgado pelo Banco Mundial, segundo o qual os maiores custos de adaptação se produzirão no Extremo Oriente e no Pacífico, na América Latina, no Caribe e na África Subsaariana. O relatório foi apresentado em Bangcoc, na Tailândia, em reunião sobre mudança climática promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU), ante 4 mil delegados, para discutir o documento que substituirá o Protocolo de Kyoto, que expira em 2012. Os países industrializados se comprometeram a financiar projetos nos países menos desenvolvidos para reduzir as emissões de gases do efeito estufa, causadoras do aquecimento global.
Segundo a ONU, há dois possíveis cenários: um para clima mais seco, ao custo de US$ 75 bilhões; outro para clima úmido, no qual o número ascenderia a US$ 100 bilhões. "O acesso a um financiamento necessário é crítico para que os países em desenvolvimento possam enfrentar o aumento das secas, as doenças e a redução da produtividade agrícola que vai gerar a mudança climática", assinalou o vice-presidente para Desenvolvimento Sustentável do Banco Mundial, Katherine Sierra. Ele precisou que o financiamento do sucessor do Protocolo de Kyoto igualará ao que atualmente gasta a instituição em ajudas para o desenvolvimento. O efeito adverso da mudança climática na produção de alimentos causará a fome de 25 milhões de crianças em 2050, se não forem tomadas medidas para evitá-lo, advertiu entidade internacional especializada. O estudo afirma que os moradores dos países em desenvolvimento terão acesso a 2.410 calorias diárias em 2050, 286 a menos que em 2000; na África, serão 392 menos; nos países industrializados, 250 menos. Os líderes do G-20 acordaram na semana passada, em Pittsburg (EUA), a doação de US$ 2 bilhões para o combate à fome, enquanto a ONU anunciou uma cúpula sobre o tema em novembro.
Oestudo deixa claro que realizar as ações em favor da adaptação dos países em desenvolvimento economizará custos no futuro e reduzirá riscos inaceitáveis. Pelo posto, mais do que nunca, a moderação, adaptação e desenvolvimento são necessários para que os países pobres sejam menos vulneráveis à mudança climática e para não pôr em perigo os objetivos de desenvolvimento do milênio fixados pela ONU. Os custos são factíveis para os países ricos, a julgar pelos respectivos Produtos Internos Brutos (PIB). Só que, no papel, tudo são flores. Espera-se que, na hora do desembolso, as chaves dos cofres desses países estejam em mãos ponderadas e comprometidas com o bem-estar do planeta. Sem isso, tudo o que se discute agora se tornará uma grande utopia.
Jogar fora Dom Aldo Pagotto Arcebispo da Paraíba
Pra trás, Brasil! Diferentes instâncias da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados aprovaram o projeto que legaliza bingos e jogos de azar. Em vez do estímulo à qualificação do ensino e capacitação profissionalizante, ficamos com a proliferação da jogatina por todo canto. Sabemos como as 'lan-houses' atraem, viciam e alienam crianças e adolescentes com os 'joguinhos' nada inocentes e até violentos. Máquinas caça-níqueis que estavam proibidas agora voltarão com toda força.
Empresários do setor da jogatina certamente botam um "lobbye" agressivo, recheado de grana para pressionar a legalização do vício. Seus argumentos são repetitivos como a mentira que muda de aparência, mas é sempre a mesma cantilena: o jogo vai gerar trabalho, vai atrair turistas, vai arrecadar mais, vai proporcionar opções para o turismo, vai acabar com a ilegalidade, pois todo mundo 'faz sua fezinha'.
Quem estimula e patrocina a proliferação da jogatina visa lucros fabulosos à custada desgraça alheia. À jogatina se vinculam riscos para a saúde do corpo e do espírito. Jogo causa dependência. Deforma gente sadia em visionários, seduzidos, iludidos com a obtenção de fortunas, como no mito da galinha dos ovos de ouro. Patologicamente transtornadas as vítimas do jogo geralmente estão endividadas.
O país dipõe de poucos centros psiquiátricos e poucos profissionais para tratar de obsecados. Será que as famílias podem bancar um tratamento adequado? Onde? Quem recupera o que foi pro saco? Por que jogar fora bens inestimáveis, a começar pela família? Nosso Parlamento nos frustra, através da Comissão de Constituição e Justiça.
Meus pêsames aos crédulos que confiam na ética e moralidade dos costumes. Minhas condolências aos que, em vez de serem estimulados a ganhar o pão de cada dia com lealdade e dignidade, são desmoralizados pelo lobbye dos empresários a favor da jogatina. Pêsames sentidos às famílias cujos pais se sacrificam para formar o caráter dos seus filhos, investindo em seu presente e futuro pelo estudo e competente profissionalização. Força e coragem àqueles que persistem em (re)construir a nação se libertando do atraso, superando a demagogia dos que falam e nada fazem a não ser o jogo da robalheira.
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Edição de domingo, 4 de outubro de 2009
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