Força Aérea Brasileira (FAB) recebeu as propostas das empresas interessadas em vender caças ao país
No dia em que as três empresas concorrentes do programa FX-2 entregaram as últimas ofertas à Força Aérea Brasileira (FAB), a sueca Saab, fabricante do Gripen NG, afirmou à imprensa brasileira que sua nova proposta aumenta a contrapartida comercial e industrial para 175% do valor total do pacote. "Isso significa que estamos oferecendo mais do que o custo que o Brasil terá", afirmou o presidente da Saab, Äke Svensson. Ele também revelou que a oferta sueca incluiu a "possibilidade" de compra de aviões KC-390, futura aeronave de transporte militar brasileira, e Super Tucanos, ambos da Embraer.
A FAB confirmou o recebimento das propostas finais das três concorrentes. Em nota, disse que relatório técnico será pautado "na valorização dos aspectos comerciais, técnicos, operacionais, logísticos, industriais, compensação comercial e transferência de tecnologia".
Além da opção de compra dos Super Tucano, a proposta sueca prevê que as aeronaves brasileiras se tornem a principal plataforma de treinamento para futuros pilotos dos Gripen NG. Desta forma, futuras vendas do caça poderiam incluir nos pacotes unidades do avião brasileiro adaptados. Outro "trunfo" é a partilha equânime dos direitos sobre propriedade intelectual do projeto do Gripen NG entre Brasil e Suécia e eventuais evoluções do modelo, embora a proposta não traga estimativa das receitas que podem ser geradas.
Segundo a Saab, os 175% do chamado offset estariam garantidos pelo fato de ser uma proposta de construção conjunta da aeronave, com 40% do desenvolvimento do Gripen sendo realizado no Brasil e 80% da aeroestrutura do avião produzidos aqui. Svensson tentou ainda mostrar que o fato de o Gripen ser o único caça monomotor da disputa não o coloca atrás dos concorrentes. Segundo ele, o alcance operacional, que dá à aeronave autonomia para ir e voltar de uma missão, é de cerca de 1,3 mil km. No caça norte-americano Fj-18 Super Hornet, da Boeing, esse alcance é de 1,5 mil km, e no Rafale, da Dassault, 1,8 mil km.
Por meio de um comunicado, a Boeing afirmou que a proposta entregue visou "atualizar e esclarecer alguns elementos" de sua oferta. "Nesta proposta, incluímos também opções que demonstram ainda mais o compromisso da Boeing e do governo dos EUA com a meta brasileira de autonomia nacional", diz o texto.
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Edição de domingo, 4 de outubro de 2009
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