Os paraibanos que admiram e celebram os gênios artísticos de sua terra têm um encontro marcado, hoje, com Ariano Suassuna, que visita mais uma vez a antiga cidade de Nossa Senhora das Neves para participar da abertura da exposição A imagem da palavra, mostra que reúne iluminogravuras e ferros de marcar bois, além de outras construções simbólicas relacionadas ao universo armorial idealizado pelo autor do Romance da Pedra do Reino.
Esta é a primeira vez que trabalhos em artes plásticas de Ariano são apresentados na Paraíba Foto: Helder Pinto/ON/D.A Press
O evento acontece, às 19h, na Estação Cabo Branco - Ciência, Cultura e Artes, no Altiplano Cabo Branco, e contempla, ainda, uma apresentação do Grupo Armorial Motiva, regido pelo músico Roberto Araújo.
Não se sabe se o título A imagem da palavra recebeu ou não o aval de Ariano. Soa, no mínimo, estranho, por remeter ao tradicional processo de ilustração de textos, tão comum, por exemplo, na literatura infanto-juvenil, quando, na verdade, tudo o que Ariano propõe, do ponto de vista da estética armorial, é uma integração entre as artes; um diálogo e uma complementaridade entre, por exemplo, a literatura e a xilogravura, o poema e a pintura rupestre. Indo um pouco mais além, lendo-se o Romance da Pedra do Reino, percebe-se a incrível dificuldade enfrentada pela palavra para dar conta exatamente da... imagem.
Com ou sem título pertinente, a mostra é de uma importância ímpar para os paraibanos que desejam mergulhar mais profundamente neste imenso oceano filosófico, político, religioso, poético, teatral e plástico que é a obra suassuniana. Simplesmente porque esta é a primeira vez que parte considerável da produção de Ariano no campo das artes plásticas, com destaque para as iluminogravuras, é apresentada ao público de sua terra. O escritor Ariano, este quase todos conhecem ou dele já ouviram falar. Mas o Ariano poeta, pintor e gravador, este ainda é novidade por aqui, daí o ineditismo que caracteriza A imagem da palavra.
Os ferros de marcar bois pertencem ao conjunto de insígnias da Civilização do Couro e, como elementos heráldicos de rústica beleza e profunda significação, inspiraram Ariano na criação dos caracteres de seu alfabeto pessoal - que o autor denomina de "alfabeto sertanejo" ou "alfabeto armorial". Para se ter a exata dimensão do valor simbólico dos ferros sertanejos para Ariano (filho de fazendeiro, sua família, claro, tem o seu próprio sinal distintivo), é imprescindível não só a observação de seu uso nas páginas de seus romances, como a leitura de Ferros do Cariri: uma heráldica sertaneja, livro de sua autoria.
Do texto de divulgação de A imagem da palavra consta a informação de que algumas das ilustrações do monumental romance que Ariano vem escrevendo há quase trinta anos (o seu legado literário) serão apresentadas na exposição. Os trabalhos certamente serão alvo de grande atenção do público, pela aura de mistério que envolve a obra. A ilumiara, na verdade, é uma tetralogia que começa com a nova versão do Romance da Pedra do Reino, prossegue com Quaderna, o decifrador (a conclusão do Romance da Pedra do Reino) e A onça castanha (terceira parte) e fecha com O palco dos pecadores.
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Edição de quarta-feira, 19 de agosto de 2009
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