O sorriso no rosto da paranaense Adriana Cristina da Silva e Silva esconde o que essa teóloga de 35 anos tem vivido nos últimos dois anos. O diagnóstico de sorologia positiva para o HCV, vírus causador da hepatite C, veio depois que ela começou a sentir cansaço extremo, problemas estomacais, dores abdominais e vômito. "Nas primeiras aplicações de interferon alfa, tive febres, tremores, enjoo, diarreia e dores abdominais", contou à reportagem, por telefone, de Anápolis (GO). A ribavirina, medicamento complementar do tratamento contra a doença, iniciou um processo alérgico na paciente. "Minha maior amiga era uma escova de cabelo. Eu me autoflagelava com ela, não parava de me coçar", lembra.
Transmissão da enfermidade ocorre pelo contato com o sangue contaminado pelo vírus HVC, presente em instrumentos não esterilizados, por exemplo Foto: Juliana Leitao/DP/D.A Press
Os efeitos colaterais penosos propiciados pelas medicações contra a hepatite C - baseadas em interferon alfa-2b ou em interferon alfa-2a com ribavirina - podem estar prestes a ser atenuados. Uma descoberta revolucionária no campo da farmacogenética, anunciada porcientistas da Duke University, na Carolina do Norte (Estados Unidos), promete antever se um paciente responderá positivamente ao tratamento. E, de acordo com os especialistas, será capaz de abrir brechas para a cura de uma doença que afeta 170 milhões de pessoas (2,8% da população mundial).
O segredo está no gene IL28B, localizado no cromossomo 19. Nesse pequeno segmento do DNA humano, o norte-americano David Goldstein e o chinês Dongliang Ge localizaram uma variação na sequência genética que afeta a resposta ao tratamento da hepatite C. A ela deram o nome de rs12979860. "Fizemos um exame das variações comuns ao longo de todo o genoma humano, para tentarmos identificar as associações entre as variantes genéticas e certos traços, como a reação à terapia contra a doença", explicou, por e-mail, o chinês Ge, professor assistente do Centro para Variações de Genoma Humano da universidade e coautor da pesquisa publicada ontem na revista científica Nature.
"A importância de nosso estudo está no fato de ele ser clinicamente bastante ativo. O tratamento da hepatite C é um processo desconfortável e nem todos os pacientes podem ser curados", comenta Ge. "Com base em nossas descobertas, os médicos poderão ter mais confiança ao afirmar aos pacientes se eles serão beneficiados pela medicação e ajudá-los a decidir quando devem iniciar a terapia", acrescentou o chinês. Segundo ele, os achados também possibilitarão uma maior compreensão da hepatite C e do vírus HCV.
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Atualizado em 17|08|2009
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