Primeiro Caderno | Política Edição de quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Lina Vieira aceita acareação com Dilma
Ex-secretária da Receita confirma no Senado encontro com Dilma e diz que ministra pediu agilidade no caso Sarney
Brasília - A ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira, confirmou ontem, em esclarecimento à Comissão de Constituição e Justiça do Senado, o suposto encontro com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, que teria ocorrido no fim do ano passado. A ministra pediu, segundo Lina, para agilizar investigações sobre o empresário Frenando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMBD-AP).
Ela acrescentou que as declarações feitas ao jornal Folha de S.Paulo não ocorreram por iniciativa sua, mas por ter sido procurada para que confirmasse os fatos."O jornal sabia dos fatos e desejava que eu confirmasse fatos. Confirmei ao jornal e volto a confirmar aqui, porque não haveria de faltar com a verdade", afirmou. Lina Vieira acrescentou que não saiu do governo guardando qualquer "mágoa" e que não tem interesse de concorrer a nenhum cargo político.
Lina Vieira também colocou-se à disposição para uma "confrontação da verdade com a ministra". Segundo ela, o encontro com Dilma Rousseff foi muito rápido, menos dedez minutos. "Cheguei pela garagem", explicou. Ela afirmou que foi identificada por um segurança na entrada da garagem e passou por um detector de metais.Do suposto pedido da ministra, a ex-secretária disse que entendeu que fosse dada celeridade. "Eu interpretei como um pedido para encerrar e concluir a investigação."
"Conversamos poucas amenidades no início e, em seguida, ela me pediu que agilizasse investigações do filho de Sarney". Lina Vieira disse, ainda, que "não precisa de agenda para lembrar da verdade".Acrescentou que não deu conhecimento ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, sobre o assunto e, tampouco, deu retorno a Dilma Rousseff uma vez que a investigação transcorria em segredo de Justiça.
Oposição
Depois de quatro horas de depoimento na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, a ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira, deixou a reunião sem falar com a imprensa. Segundo a oposição, o depoimento de Lina é indício de que, de fato, Dilma Russeff interferiu no órgão. De acordo como senador Antônio Carlos Magalhães Júnior (DEM-BA), autor do requerimento de convocação de Lina, a versão da ex-secretária comprova a existência sim do encontro. "Claro que a gente esperava mais informações, mas não tenho dúvidas de que o encontro existiu", ressaltou após exposição.
Os senadores da oposição afirmaram ontem que aguardam a resposta de Dilma diante da declaração de Lina Vieira para, em seguida, resolver se entram com um requerimento de acareação na CPI da Petrobras. O senador ACM Júnior ressaltou quer a solução para o caso vai ser a acareação. "Mas vamos aguardar o avançar dos fatos para propor essa matéria na CPI da Petrobras", confirmou. Ainda segundo o senador do DEM, Dilma jamais poderia ter interferido em um assunto da Receita Federal. "A interferência, por menor que seja, foi indevida. Ela (Dilma) não poderia se meter", disse.
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